Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos afirma que práticas do governo brasileiro restringem o comércio norte-americano
O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), propôs na 2ª feira (1º.jun.2026) uma tarifa de 25% sobre uma ampla lista de produtos importados do Brasil. Leia a íntegra (PDF – 915 kB).
A medida foi apresentada depois de uma investigação comercial concluir que o país adotou práticas consideradas desleais e prejudiciais a empresas norte-americanas.
A apuração foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, instrumento que autoriza os EUA a aplicar tarifas e outras sanções contra práticas comerciais consideradas abusivas.
O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos), Jamieson Greer, afirmou que a investigação identificou falhas brasileiras na proteção da propriedade intelectual, no combate à corrupção e no acesso ao mercado de etanol. O governo norte-americano também citou fiscalização insuficiente das leis de combate ao desmatamento.
Alguns produtos, porém, foram poupados da tarifa. É o caso de carnes, frutas, minerais, café, chá, especiarias, cereais, sementes, frutos oleaginosos, plantas industriais e medicinais, palhas e forragens.
Também foram isentos da tarifa aeronaves e peças de aeronaves brasileiras, terras raras, produtos químicos orgânicos, produtos farmacêuticos e fertilizantes.
Antes da aplicação definitiva da tarifa, porém, o governo dos EUA estabeleceu um cronograma de audiências e consultas públicas para coletar depoimentos. O prazo limite legal para a definição e aplicação das medidas corretivas contra o Brasil é 15 de julho de 2026.
A medida integra a tentativa de Trump de reconstruir sua política tarifária depois de derrotas judiciais nos EUA. O governo norte-americano passou a usar investigações específicas por país para embasar novas cobranças sobre importações. A Seção 301 exige consultas, audiências e apuração individual antes da entrada em vigor das tarifas.
HISTÓRICO
A proposta foi apresentada depois de uma tentativa de reaproximação entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Trump. Os 2 presidentes se reuniram em Washington em 7 de maio e trataram de tarifas, combate ao crime organizado e minerais críticos. Na sequência, o governo brasileiro recebeu prazo de 30 dias para negociar com os EUA medidas comerciais.
Também foi apresentada depois de atritos entre os 2 países em 2025. Naquele ano, Trump impôs tarifa de 50% sobre importações brasileiras como forma de pressionar o Brasil a interromper o processo judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), aliado do republicano. Depois, os EUA reduziram parte das tarifas, e decisões judiciais limitaram o alcance das cobranças.
Os Estados Unidos mantêm superavit comercial com o Brasil há uma década.