Depois de decisão dos EUA, presidente afirma durante lançamento de streaming brasileiro que combinação “não é bolsonarista”
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse neste sábado (30.mai.2026) que a esquerda precisa usar verde e amarelo na Copa do Mundo para não deixar as cores do Brasil serem apropriadas por adversários políticos. A declaração foi feita durante o lançamento da Tela Brasil, no Rio de Janeiro.
“A gente vai ter que, nessa Copa do Mundo, andar de verde e amarelo pra não deixar que as cores do Brasil sejam tomadas por nenhum fascista”, disse Lula.
Depois da decisão dos Estados Unidos de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, o Palácio do Planalto decidiu encabeçar ainda mais o discurso de soberania.
A fala foi ao final do evento, quando Lula cumprimentou o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavalieri (PSD), que estava na plateia vestido com um casaco da seleção. O presidente disse que Cavalieri precisava colocar junto à roupa um aviso de que o verde e amarelo “não é bolsonarista”.
O ator Paulo Betti, que estava no palco ao lado de outros artistas, exibiu uma bandeira do Brasil. Depois, tiraram foto.
Ricardo Stuckert/Planalto – 30.mai.2026
Lula posa com a bandeira do Brasil ao lado dos artistas Teresa Cristina, Antônia Pellegrino e Paulo Betti, do político Eduardo Cavalcanti, entre outras personalidades, durante o lançamento do programa Tela Brasil, no Rio de Janeiro
A declaração veio no contexto de um discurso mais amplo sobre identidade e cultura brasileira. Ao longo do evento, Lula disse que os brasileiros precisam conhecer melhor o próprio país e resistir à influência cultural estrangeira.
“A quantidade de enlatado, de má qualidade que a gente é obrigado a assistir toda noite porque não tem outra coisa pra gente ver, não permite que a juventude brasileira tenha acesso à plenitude da cultura brasileira”, afirmou.
O petista disse que o país ganhou respeito internacional ao abandonar o que chamou de “complexo de vira-lata” –a crença, segundo ele histórica na elite brasileira, de que tudo de fora seria melhor do que o que se produz no país.
Defendeu que os brasileiros conheçam melhor as riquezas do país: “Por que que vai tanta gente pra Miami? Ninguém vai pra Amazônia”.
No início do evento, o petista contou que conversava no carro com a primeira-dama, Janja Lula da Silva, e pediu que ela o ensinasse a pronunciar a palavra “streaming”. O presidente costuma fazer referências à sua dificuldade com o inglês ao defender maior valorização da língua portuguesa em discursos públicos.
TELA BRASIL
O evento foi organizado como uma roda de conversa, apresentada pela jornalista Cissa Guimarães, que já havia entrevistado Lula na semana anterior. Ao lado do presidente estavam a primeira-dama Janja, a ministra da Cultura Margareth Menezes e o ministro do Desenvolvimento, Márcio Elias Rosa.
Lula, ao lado de Margareth Menezes e da secretária do Audiovisual Joelma Gonzaga, deu o primeiro play oficial da plataforma. Um vídeo promocional foi exibido e um QR Code foi projetado no telão para acesso imediato.
Antes de encerrar, defendeu que a Tela Brasil se torne política de Estado. “Vocês sabem que qualquer um que entra pode tirar. Tirar a coisa é muito fácil. Consertar é que é difícil“, disse, em referência ao governo anterior de Jair Bolsonaro (PL), que extinguiu o Ministério da Cultura em 2019.
O ex-prefeito Eduardo Paes também estava presente no evento, cumprimentado por Lula como “cidadão anônimo”.
Ao final do discurso, o presidente fez referência à situação política do Estado do Rio de Janeiro, hoje comandado interinamente por Ricardo Couto. “Uma salva de palmas para esse homem que vai ajudar a consertar o Rio de Janeiro”, disse
Eis alguns nomes presentes no evento:
Janja da Silva, primeira-dama;
Margareth Menezes, ministra da Cultura;
Márcio Elias Rosa, ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços;
Joelma Gonzaga, secretária do Audiovisual do MinC;
Márcio Tavares, secretário-executivo do MinC;
Antonia Pellegrino, presidente da EBC;
Luciana Santana, professora da UFAL e coordenadora do projeto;
Eduardo Cavalieri, prefeito do Rio de Janeiro;
Eduardo Paes, ex-prefeito do Rio de Janeiro;
Lucie Barreto, produtora;
Átila B., ator;
Chico Dias, ator;
Antônio Pitanga, ator;
Rebeca Joviano, diretora;
Ana Mulher, diretora;
Manuela Dino, diretora;
Benedita da Silva, deputada federal.
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