Para Pedro Rodrigues, do CBIE, contenção de preços da Petrobras anula incentivo à transição energética no país
O Poder360, em parceria com o CBIE (Centro Brasileiro de Infraestrutura), lança nesta 6ª feira (29.mai.2026) mais um episódio do programa Infra em 1 Minuto. O especialista em óleo e gás Pedro Rodrigues, sócio do CBIE, analisa o crescimento das vendas de carros elétricos no mundo e as distorções causadas pela política de subsídios e preços de combustíveis no Brasil.
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Assista (2min42s):
No 164º episódio do Infra em 1 minuto, o especialista Pedro Rodrigues fala sobre os dados do relatório Global EV Outlook 2026, da Agência Internacional de Energia. Os dados mostram que a venda de elétricos tem crescido em meio à crise energética global. No ano passado, 1 em cada 4 carros novos vendidos no mundo foi elétrico, totalizando 20 milhões de unidades, uma alta de 20%.
Rodrigues explica que, com a alta no preço do barril de petróleo impulsionada por tensões no Oriente Médio, o consumidor global migrou para a eletrificação, fazendo as vendas dispararem em mercados como Vietnã, Austrália e Nova Zelândia no 1º trimestre de 2026. Ele traça um paralelo com a crise do petróleo de 1973 e avalia que os choques de preço costumam produzir respostas estruturais.
No Brasil, no entanto, a dinâmica é diferente.
Apesar de as vendas terem alcançado 180 mil unidades em 2025, o que equivale a 9% de participação de mercado, a expansão foi motivada pela isenção do Imposto de Importação, já que 85% dos veículos vieram da China. “Não foi o mercado escolhendo, foi o subsídio”, afirma o sócio do CBIE.
Para o especialista, enquanto o mundo acelera a transição energética guiado pelo preço do petróleo, o Brasil anula esse sinal, pois a Petrobras segura os preços dos combustíveis para viabilizar o abandono da PPI (política de paridade de importação). Com isso, quando o barril sobe no mercado internacional, o consumidor brasileiro não sente o impacto direto na bomba.
O resultado, alerta o especialista, é que o país acaba subsidiando as duas pontas da equação: o combustível fóssil, assumindo o custo fiscal e perdas para a estatal, e os veículos elétricos importados, por meio de isenção tributária. Por outro lado, a infraestrutura local não acompanha o ritmo das vendas, com o Brasil registrando hoje 24 veículos elétricos por ponto público de recarga, contra 17 no ano anterior.
“O governo brasileiro ama um subsídio. O que não gosta mesmo é de mercado”, conclui Pedro Rodrigues.
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