Governo quer ampliar presença no Caribe e petista reforçou integração ao assinar acordos militares e energéticos com Suriname
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, nesta 5ª feira (28.mai.2026), maior diálogo entre países sul-americanos diante do que chamou de “constante fragmentação regional”. A declaração foi dada depois de reunião bilateral com a presidente do Suriname, Jennifer Geerlings-Simons (NDP, centro-esquerda), no Palácio do Planalto.
“Vivemos um período de constante fragmentação regional. Por isso, o diálogo entre países que acreditam na cooperação e no respeito à soberania se torna ainda mais importante”, afirmou Lula.
O cenário regional reúne tensões diplomáticas e avanço do narcotráfico nas fronteiras amazônicas. Também há disputa crescente entre Estados Unidos e China por influência política, energética e comercial na América do Sul.
O Planalto acompanha a crise entre Venezuela e Guiana pela região de Essequibo. Monitora ainda a instabilidade política na Bolívia, para onde prepara ajuda humanitária. O governo também avalia novas remessas de alimentos e medicamentos para Cuba por causa do agravamento da crise econômica no país.
Nesta 5ª feira (28.mai), Brasil e Suriname assinaram 13 atos bilaterais nas áreas de defesa, segurança pública, comércio, energia e desenvolvimento social.
Assista a declaração à imprensa (39min35s):
DEFESA E FRONTEIRAS
O principal instrumento na área militar foi um memorando de entendimento para realização de operações militares espelhadas na faixa de fronteira. O texto estabelece coordenação entre as Forças Armadas dos 2 países para ampliar a vigilância territorial e combater crimes transnacionais na região amazônica.
O modelo é semelhante a mecanismos de cooperação que o Brasil já mantém com países vizinhos, como a Bolívia, em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
Também foi firmado um acordo de cooperação para combater o tráfico de pessoas e o contrabando de migrantes. O texto fala em ações conjuntas de prevenção, proteção de vítimas, investigação e persecução penal.
Na área policial, os governos assinaram memorando de entendimento entre a Polícia Federal e a polícia do Suriname para cooperação institucional.
Outro memorando foi fechado entre o Gabinete de Segurança Institucional e a Diretoria de Segurança Nacional do Suriname para cooperação em cibersegurança.
Lula afirmou que Brasil e Suriname estão “unindo forças regionais” contra narcotráfico, tráfico de armas, crimes ambientais e contrabando.
“A tradicional cooperação em defesa entre Brasil e Suriname é construída com base em uma visão compartilhada de proteção da Amazônia”, declarou.
O presidente tem tratado o Suriname como peça estratégica para ampliar a presença brasileira no Caribe e reforçar a integração do Norte da América do Sul. O país é visto pelo Planalto como uma “porta de entrada” para o Caribe por reunir proximidade geográfica com a Amazônia, acesso marítimo ao Atlântico e ligação política com a Caricom (Comunidade do Caribe).
O interesse brasileiro também aumentou depois das descobertas de petróleo na costa do Suriname e da vizinha Guiana. O Planalto avalia que o avanço da produção pode transformar a faixa norte da América do Sul em novo polo energético.
Na área econômica, os governos fecharam termos de referência para negociar um acordo comercial de alcance parcial. Lula disse que quer aprofundar a cooperação energética com o Suriname e ampliar o comércio bilateral, hoje “muito restrito”. O presidente também defendeu aumentar a compra de petróleo surinamês pelo Brasil.
Lula também convidou o Suriname para participar como observador do exercício Guardião Cibernético, treinamento coordenado pelas Forças Armadas brasileiras na área de defesa digital.
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