Petista assinou 13 atos com o país vizinho e defendeu equilíbrio na balança comercial; disse que a Petrobras pode trabalhar com surinameses
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta 5ª feira (28.mai.2026) que quer ampliar as compras brasileiras de produtos do Suriname, incluindo petróleo. A declaração foi dada depois de reunião bilateral com a presidente do país, Jennifer Geerlings-Simons (NDP, centro-esquerda), no Palácio do Planalto.
“Vocês agora vão se transformar em grandes produtores de petróleo, e a Petrobras pode trabalhar com vocês. Aí a gente vai poder equilibrar a balança comercial, porque nós vamos importar um pouco de petróleo de vocês para compensar a nossa colaboração com o Suriname”, disse o petista a Geerlings-Simons, depois da assinatura dos atos bilaterais.
O presidente disse que o comércio bilateral ainda é “muito restrito”. Segundo ele, a corrente comercial entre os 2 países somou cerca de US$ 50 milhões em 2025.
13 ACORDOS
Brasil e Suriname assinaram 13 atos bilaterais nas áreas de defesa, segurança pública, energia, comércio e desenvolvimento social. Na área econômica, fecharam termos de referência para negociar um acordo comercial de alcance parcial.
Lula também defendeu aprofundar a cooperação energética entre os 2 países. “O Suriname possui grande potencial petrolífero e de energias renováveis. Há oportunidades para cooperação em mineração sustentável, exportação e agregação de valor”, afirmou.
O interesse brasileiro cresceu depois das descobertas de petróleo na costa do Suriname e da vizinha Guiana. O governo avalia que a faixa norte da América do Sul pode se transformar em novo polo energético regional.
O Planalto também vê o Suriname como estratégico para ampliar a presença brasileira no Caribe. Integrantes do governo classificam o país como uma “porta de entrada” para a região por causa da ligação com a Comunidade do Caribe e da proximidade com a Amazônia.
Defesa e fronteiras
Entre os principais instrumentos assinados está um memorando de entendimento para realização de operações militares espelhadas na faixa de fronteira.
O texto estabelece coordenação entre as Forças Armadas dos 2 países para ampliar vigilância territorial e combater crimes transnacionais na Amazônia.
O modelo é semelhante a mecanismos de cooperação já mantidos pelo Brasil com países vizinhos, como a Bolívia, em ações de combate ao narcotráfico e ao crime organizado.
“A tradicional cooperação em defesa entre Brasil e Suriname é construída com base em uma visão compartilhada de proteção da Amazônia”, disse Lula.
Os governos também firmaram acordo para combate ao tráfico de pessoas e ao contrabando de migrantes.
Na área policial, houve assinatura de memorando entre a Polícia Federal e a polícia do Suriname para cooperação institucional. Outro ato estabeleceu parceria em cibersegurança entre o Gabinete de Segurança Institucional e a Diretoria de Segurança Nacional do Suriname.
Lula afirmou que os 2 países estão “unidos no enfrentamento regional ao narcotráfico, ao tráfico de armas, de pessoas e aos crimes ambientais”.
Assista a declaração à imprensa:
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/lula-quer-comprar-petroleo-do-suriname-e-ampliar-comercio/