Documentário expõe riscos em mudança no mercado de gás do país

Em “Cheiro de Perigo no Ar”, o jornalista Eduardo Tchao mostra como México e Paraguai abriram o mercado de GLP ao crime organizado

O mercado de gás de cozinha está prestes a passar por uma encruzilhada: ou o país continua com o atual sistema de marcas proprietárias, que garante segurança e responsabilidades do envasamento à distribuição, ou o Brasil pode se tornar rapidamente um mercado dominado pelo crime organizado, a sonegação fiscal e a insegurança dentro das casas, com aumento de casos de fraudes e acidentes. É esse o alerta feito no documentário “Cheiro de Perigo no Ar”, idealizado pelo Sindigás (Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo).

No vídeo, o 2º cenário é descrito com imagens fortes, entrevistas com autoridades nacionais e estrangeiras e exemplos dos riscos. Com 22 minutos de duração, o trabalho é ancorado pelo jornalista Eduardo Tchao.

Assista ao documentário (22min53s).

O documentário mostra as diferenças entre o mercado do Brasil e os do Paraguai e do México. No brasileiro, há uma legislação consolidada e segura, que é benchmark internacional, garantida pelas empresas distribuidoras de GLP. Já nos outros 2 países, a falta de regulação do setor abriu o mercado para o crime organizado, com aumento de acidentes e mortes, adulteração e sonegação fiscal.

A equipe do documentário, composta por jornalistas e especialistas investigativos, viajou a Assunção e à Cidade do México para conhecer de perto as duas experiências de mudança na regulamentação do mercado de GLP. Durante as gravações, recuperou casos dramáticos, com depoimentos de quem testemunhou explosões e tragédias.

O documentário traz também um retrato de como os 2 países negligenciaram a manutenção dos botijões. Mostra que a alteração na legislação abriu a porta para o crime organizado, o roubo de gasodutos, as fraudes no abastecimento e a sonegação de impostos.

Duas medidas em debate no Brasil estão na base dos problemas existentes hoje no Paraguai e no México: a venda fracionada do gás de cozinha e o enchimento remoto –que poderá ser feito, inclusive, em áreas de alta densidade populacional.

Um estudo recente, de 2026, coordenado pelo professor Leandro Piquet Carneiro, da USP (Universidade de São Paulo), mostra que as propostas em análise na ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) oferecem riscos à segurança pública ao abrir brechas regulatórias. Segundo Piquet, a flexibilização do setor pode repetir um cenário observado no mercado de combustíveis, no qual há sonegação e presença de grupos criminosos.

No Paraguai, 80% dos botijões estão vencidos, segundo o estudo da USP. Sem marca nem empresas responsáveis pela manutenção, os botijões envelheceram, amassaram, enferrujaram e tiveram válvulas e lacres comprometidos, como mostra o documentário. “Depois que pudemos encher os botijões nas estações de serviço, começaram os problemas”, disse o bombeiro Roque Gonzalez.

No México, a mudança na legislação fez do mercado clandestino de gás um grande negócio para os cartéis de droga. “A 2ª fonte de renda para o crime organizado do México é o roubo de hidrocarbonetos”, afirmou Susana Ivana Espinoza, ex-integrante da agência de controle de GLP do México.

Crescimento da insegurança

Durante o documento, a equipe de reportagem cita acidentes causados com a flexibilização do setor. Em setembro de 2025, 31 pessoas morreram depois que um caminhão, transportador de GLP, irregular e fora das especificações, derrapou em um bairro populoso do México, quando crianças saíam da escola, e causou uma explosão.

O aumento da insegurança criada por fraudes, falta de manutenção e crime organizado levaram muitos consumidores do México a usar lenha dentro de casa. “O gás é mais prático e rápido, mas são muitos os riscos que corremos”, disse, no documentário, a dona de casa Maria del Carmo Gutierrez Dias.

Diante dos problemas, autoridades do México e do Paraguai tentam reassumir o controle do mercado, mas lembram, durante as entrevistas dadas ao jornalista Tchao, que o crime organizado se infiltra rapidamente na tentativa de legalizar as operações. Por isso, fazem um alerta para o Brasil preservar o sistema atual.

Tchao cita, como exemplo, a deflagração da operação Carbono Oculto, que mostrou um esquema multibilionário de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal e fraudes no setor de combustíveis brasileiro, com ramificações no mercado financeiro, a partir da entrada do crime organizado.

O documentário alerta que o Brasil tem tempo para evitar o ingresso de facções no mercado do gás de cozinha. “As regras existem com um propósito: proteger vidas”, disse o jornalista Eduardo Tchao. “Se abrirmos mão disso, será o momento em que o país deixará de acreditar no que sempre funcionou”.

Este conteúdo foi produzido e pago pelo Sindigás.

Fonte: https://www.poder360.com.br/conteudo-de-marca/documentario-expoe-riscos-em-mudanca-no-mercado-de-gas-do-pais/

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