Partidos conservadores pedem retirada de mapa do País Basco que inclui o território da comunidade autônoma de Navarra
O novo uniforme do Athletic Bilbao, lançado na 4ª feira (20.mai.2026), vem sendo alvo de críticas de partidos conservadores da Espanha, que exigem que o clube faça modificações no modelo. Produzida pela Castore, a camisa traz um mapa do País Basco, comunidade autônoma no norte da Espanha, na nuca.
Para 3 partidos de direita do país, o mapa não deveria incluir a região autônoma de Navarra, separada juridicamente. O lançamento mobilizou integrantes do PP (Partido Popular), UPN (União Popular Navarra) e Vox, que falam em acionar a Justiça para tentar proibir a utilização do modelo ou conseguir a retirada da imagem.
Reprodução/site Athletic Bilbao – 20.mai.2026
Nico Williams foi um dos modelos no vídeo de divulgação do novo uniforme da equipe basca
A UPN enviou um comunicado à Real Federação Espanhola de Futebol, alegando que a representação é “especialmente prejudicial” por ignorar a realidade jurídica e institucional de Navarra.
Segundo o partido, a comunidade autônoma não deseja ser associada à região basca.
O uniforme titular para a temporada 2026/2027 foi criado sob o conceito de “Contar a História do Clube”. O Bilbao planeja estrear o modelo no sábado (23.mai.2026), em partida contra o Real Madrid pela última rodada da La Liga.
Assista (1min1s):
DISPUTA HISTÓRICA
A polêmica gira em torno do conceito de “Euskal Herria” (“Terra dos Bascos”), termo em euskera que define uma região cultural e histórica composta por 7 províncias, divididas entre a Espanha e a França.
Embora Navarra compartilhe raízes históricas com o universo basco, tem governo e parlamento próprios. Parte da classe política local rejeita a integração administrativa ao País Basco.
Historicamente, as tensões regionais na Espanha foram intensificadas durante a ditadura de Francisco Franco (1939-1977). Nesse período, manifestações de independência e o uso de idiomas locais, como o basco e o catalão, foram reprimidos.
A repressão contribuiu para o surgimento de grupos extremistas, como a ETA (sigla para Euskadi Ta Askatasuna, que significa “Pátria Basca e Liberdade”), que realizou atentados em defesa da independência da região até encerrar suas atividades em 2011.