Organizações alertam governo sobre impactos do Super El Niño

Previsto para os próximos meses, fenômeno pode provocar eventos extremos em várias regiões do país

Organizações da sociedade civil alertaram o governo federal sobre a necessidade de adotar políticas de adaptação climática voltadas às populações mais vulneráveis. O documento cita os efeitos de eventos extremos no Brasil e cobra medidas de prevenção contra enchentes, deslizamentos, secas, estiagens, ondas de calor e incêndios florestais. Leia a íntegra (PDF – 92 KB).

O alerta da Rede por Adaptação Antirracista, em parceria com o Observatório do Clima, foi feito em um momento em que agências meteorológicas monitoram a formação do El Niño em 2026.

A Noaa (Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos) estimou, em relatório divulgado na 5ª feira (14.mai.2026), que há 37% de chance de o fenômeno atingir intensidade “muito forte” de novembro de 2026 a janeiro de 2027. A agência também calcula probabilidade de 82% de formação do El Niño entre maio e julho de 2026.

Embora a Noaa não adote oficialmente a expressão “super El Niño”, o termo costuma ser usado para episódios excepcionalmente intensos do fenômeno. No Brasil, esse cenário pode elevar o risco de seca no Norte e no Nordeste e provocar chuvas mais intensas no Sul.

Entidades cobram prevenção a desastres

Na carta, as entidades afirmam que o país já sente os efeitos do aquecimento global. O texto cita a chuva no litoral norte de São Paulo, em fevereiro de 2023, quando foram registrados 682 mm de precipitação em Bertioga e 626 mm em São Sebastião. Também menciona a tragédia de Petrópolis, em 2022, quando 241 pessoas morreram depois de chuva de 530 mm em 24 horas.

As organizações dizem que eventos extremos não atingem a população de forma igual. O documento afirma que pessoas negras, periféricas, quilombolas, indígenas, mulheres, crianças e moradores de áreas de risco estão mais expostos a desastres climáticos. Para as entidades, a falta de infraestrutura urbana e de políticas habitacionais aprofunda os impactos.

As entidades afirmam que as políticas públicas precisam deixar de agir só depois dos desastres. “Não é aceitável que haja mobilização somente nos momentos de tragédia, deixando de lado a obrigação legal de garantir uma abordagem sistêmica das ações de prevenção, mitigação, preparação, reparação, resposta e recuperação em desastres”, diz a carta.

O documento também afirma que os efeitos das chuvas são agravados pela falta de planejamento e infraestrutura. “O grande volume de água não justifica enchentes e deslizamentos de encostas que levam pessoas à morte”, diz o texto.

A carta cobra ações imediatas de prevenção, preparação, resposta e recuperação. Eis algumas das medidas defendidas:

instalação de sirenes e sistemas de alerta em áreas de risco;
elaboração de planos de fuga com participação dos moradores;
criação de centros de monitoramento;
instalação de estações meteorológicas;
elaboração de planos de adaptação nas cidades;
definição de metas e reserva de orçamento;
revisão anual dos planos com participação pública;
treinamento da população sobre riscos.

As entidades também pedem a atualização do PNA (Plano Nacional de Adaptação) e a retomada de espaços de participação social nas decisões ambientais. O texto diz que as políticas climáticas devem considerar moradia, saúde, educação, gestão territorial, agricultura familiar e titulação de terras quilombolas.

O documento é assinado por dezenas de organizações, entre elas Observatório do Clima, Coalizão Negra por Direitos, Greenpeace Brasil, Oxfam Brasil, WWF-Brasil, SOS Mata Atlântica, Instituto Pólis, Instituto Ethos, Conectas Direitos Humanos e Transparência Brasil.

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-sustentavel/organizacoes-alertam-governo-sobre-impactos-do-super-el-nino/

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