Vice-presidente da BAT, Suelma Rosa afirma que a regulamentação de produtos na Argentina favorece a mudança no país
A liberação de cigarros eletrônicos, tabaco aquecido e sachês de nicotina na Argentina em 4 de maio tende a favorecer a regulamentação desses produtos no Brasil, afirmou a vice-presidente de Assuntos Corporativos da BAT na América Latina, Suelma Rosa, 46 anos. “É um avanço regulatório”, disse.
Assista à entrevista (22min26s):
A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) decidiu em abril de 2024 manter a proibição a cigarros eletrônicos no Brasil. Associações de médicos haviam se manifestado pela manutenção da proibição.
Em dezembro de 2025, a Anvisa incluiu os sachês de nicotina como um dos temas da agenda regulatória para o biênio 2026-2027. Leia a íntegra (PDF – 781 kB). Atualmente, os sachês de nicotina são proibidos no Brasil.
O item 16 da agenda regulatória da Anvisa é sobre tabaco. O subitem 16.5 é “regulamentação de produtos fumígenos emergentes, como bolsas de nicotina”.
“A BAT e o setor, de forma mais ampla, têm expectativa de que isso possa ser revisto pela agência”, afirmou Rosa.
ORIGEM NA SUÉCIA
O tabaco é usado na boca na Suécia sem ser queimado desde o século 18. No século 20, passaram a usar sachês de nicotina. O país conseguiu reduzir o número de fumantes em 2024 para 4,5% da população adulta. A OMS (Organização Mundial da Saúde) considera livres de tabagismo os países com menos de 5% de fumantes.
A regulamentação da Argentina vale para todos os produtos de tabaco e nicotina. A publicidade continua a ser proibida.
Na avaliação de Rosa, as regras vão “estabelecer padrões de qualidade para o mercado que já existia, um mercado ilícito que já estava presente no país”.
A vice-presidente da BAT afirmou que estudos demonstram que há redução de danos com produtos de tabaco e nicotina.
“A Anvisa vem estudando [o tema] e a gente tem expectativa de que aprenda [a partir] das outras experiências em outros países”, afirmou.
Atualmente, 9 países da América Latina permitem o uso de cigarros eletrônicos e outros produtos de tabaco e nicotina sem combustão.
A lista inclui os sachês de nicotina e dispositivos que aquecem o tabaco sem queimá-lo, portanto sem a inalação de fumaça.
Há globalmente 87 países em que o uso de cigarros eletrônicos e outros produtos de tabaco e nicotina sem combustão é permitido.
Rosa estima que metade da população mundial esteja nesses países. Há também 40 países em que há um limbo regulatório, sem proibição nem regulamentação.
MERCADO ILÍCITO
Rosa citou estimativa de que 15 milhões de pessoas sejam consumidores de cigarros eletrônicos no Brasil, apesar da proibição pela Anvisa.
“A proibição gerou um mercado de ilícito gigantesco que está afetando a saúde pública e alimentando a infraestrutura do crime organizado no país”, afirmou.
Vários médicos afirmam que os cigarros eletrônicos podem ser mais nocivos do que os cigarros tradicionais. O cardiologista Roberto Kalil Filho disse em março de 2025 que é contra a regulamentação.
FALTA DE PESQUISAS
Rosa afirmou que a proibição do produto impede que se façam pesquisas. “No Brasil, por não ser regulado, não foi possível estabelecer estudos de casos clínicos com a população brasileira porque esse produto não existe”, afirmou.
Há também críticas sobre o histórico da falta de transparência da indústria de tabaco no século 20 sobre danos dos cigarros. Rosa disse que isso ignora avanços recentes.
“A indústria formalmente registrada, a indústria de capital aberto, a indústria regulada por códigos de ética, evoluiu nos últimos 30, 40 anos e vem à luz dando transparência sobre as informações”, afirmou.