A decisão foi tomada depois de o pré-candidato à Presidência criticar a escolha de Joaquim Barbosa para substituí-lo
A direção do partido Democracia Cristã (DC) decidiu abrir um processo disciplinar, nesta 5ª feira (21.mai.2026), para expulsar o pré-candidato à Presidência Aldo Rebelo (DC) da sigla. A medida foi tomada depois de Rebelo fazer críticas públicas ao presidente nacional da legenda, João Caldas, por discordar da decisão da cúpula de substituí-lo pelo ex-ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Joaquim Barbosa, na campanha eleitoral.
Em nota divulgada, o partido afirmou que repudia os ataques contra a direção. Segundo a sigla, as atitudes de Rebelo não condizem com os valores democratas-cristãos. O DC declarou no comunicado que “não há espaço, porém, para ameaças, calúnias, difamação, má-fé e arrogância”. O desligamento do ex-ministro será informado à Justiça Eleitoral. Leia a íntegra da nota [PDF – 174 KB].
A cúpula do Democracia Cristã justificou a abertura do processo dizendo ter esgotado as tentativas de resolução amigável com Rebelo. A direção da legenda classificou a postura do ex-ministro como intransigente.
“Diante do esgotamento das diversas tentativas de resolução harmoniosa —frustradas pela reiterada intransigência do recém-filiado— e tendo em vista os gravíssimos fatos e provas apurados, que afrontam os valores, os princípios, os objetivos e o estatuto do partido, a direção nacional do DC delibera pela abertura imediata de procedimento disciplinar contra o referido filiado”, informou o partido na nota.
O Poder360 entrou em contato com Aldo Rebelo, que informou que “candidaturas são projetos coletivos e não de grupos e interesses específicos”.
Afirmou, ainda: “A candidatura anunciada em um balão de ensaio de Joaquim Barbosa é uma afronta a tudo que defendo como relações políticas”.
“Se houver qualquer obstáculo à presença da minha pré-candidatura, o caminho é judicializar”, declarou Rebelo, ao reforçar fala anterior de que a definição do candidato deve ser uma escolha coletiva na convenção partidária, e não uma decisão monocrática da presidência da legenda.
O pré-candidato também ironizou a possível postulação de Barbosa ao lembrar que o magistrado aposentado se filiou ao PSB (Partido Socialista Brasileiro) para concorrer em 2018, mas desistiu meses antes do pleito.
NOVO CANDIDATO
O novo pré-candidato escolhido pela legenda, Joaquim Barbosa, integrou o Supremo de 2003 a 2014, quando se aposentou 10 anos e 2 meses antes do limite constitucional. Ele foi cotado para disputar a Presidência em 2018, mas desistiu. Para que Barbosa concorra pelo DC, a legislação eleitoral exige que o candidato esteja filiado ao partido político pelo menos 6 meses antes da data da eleição.