Deputados recorrem contra suspensão de mandato por protesto que bloqueou sessão da Câmara em 2025
Os deputados federais Marcel van Hattem (Novo), Zé Trovão (PL-SC) e Marcos Pollon (União – MS) recorreram, na 3ª feira (19.mai.2026), à CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, contra a decisão do Conselho de Ética de suspender por 2 meses seus mandatos por causa de obstrução física na Mesa Diretora em 2025. A penalidade ainda precisa ser aprovada pelo plenário da Câmara para entrar em vigor.
O regimento da Casa permite recurso à CCJ em casos de suposta falha ou abuso procedimental nas discussões do Conselho de Ética.
Os deputados questionam a união das 3 representações em um único parecer. Eles afirmam que a medida prejudicou o direito de defesa de cada um.
Em vídeo publicado por Van Hattem no Instagram, Zé Trovão disse que os congressistas sofrem perseguição política por defenderem seus apoiadores. “Se a gente está sendo perseguido por defender vocês, então quer dizer que nós estamos no caminho certo”, afirmou. O deputado também afirmou que seu “único crime foi defender a anistia”.
O parecer favorável à suspensão foi elaborado por Moses Rodrigues (União – CE) e aprovado pelo Conselho de Ética na 1ª semana de maio. A Corregedoria da Câmara apresentou a ação com base em imagens das câmeras de segurança do plenário.
RELEMBRE O CASO
O episódio ocorreu nos dias 5 e 6 de agosto de 2025, quando um grupo de congressistas da oposição ocupou o plenário principal da Câmara por mais de 30 horas. O protesto foi motivado pela prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A ocupação impediu o funcionamento normal da Casa e obstruiu o trabalho do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que só conseguiu retomar as atividades após reuniões com a base governista e aliados de Bolsonaro.
Na ocasião, Motta advertiu que o impedimento do funcionamento da Casa poderia resultar na suspensão de mandatos. A Corregedoria da Câmara identificou as condutas como graves, configurando desrespeito à autoridade da Mesa e afronta à institucionalidade do Legislativo. Além dos 3 processos em votação hoje, a direção da Câmara já havia aplicado censura escrita a todos os 14 envolvidos no motim.