Presidente do BC declarou que o fato não tira a seriedade do envolvimento de funcionários da autoridade monetária com Vorcaro
O presidente do BC (Banco Central), Gabriel Galípolo, afirmou nesta 3ª feira (19.mai.2026) que as várias reuniões de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, com representantes da autoridade monetária na gestão de Roberto Campos Neto e na atual eram comuns e “naturais” devido às evidências de irregularidades que envolviam o banco.
O presidente, porém, declarou que o fato não tira a gravidade do envolvimento de funcionários do BC com Daniel Vorcaro.
“O BC dialoga com a particularidade do banco. Com as evidências que tínhamos, esse caso demandava atenção especial. Eu não estava nas reuniões, mas é comum que um banco que esteja em dificuldades tenha reuniões extensas no BC. Não quero reduzir a gravidade sobre o envolvimento dos funcionários ”, disse.
A declaração foi feita durante audiência pública na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado. O presidente do colegiado, senador Renan Calheiros (MDB-AL), questionou a duração dos encontros e a influência de Vorcaro no BC.
O presidente da autoridade monetária afirmou que não participou presencialmente dos encontros e que cada diretor tem autonomia de agenda. Galípolo disse ainda que Vorcaro se queixava de supostas injustiças e dizia se sentir em um regime especial de intervenção.
Segundo Galípolo, a identificação de irregularidades foi feita no tempo recorde de 3 meses e o caso foi enviado ao Ministério Público logo em seguida.
O ex-diretor de fiscalização do BC, Paulo Sérgio Neves de Souza, e o ex-servidor Belline Santana foram afastados por decisão do Supremo Tribunal Federal. A PF (Polícia Federal) constatou que ambos prestavam uma consultoria informal ao dono do Master, Daniel Vorcaro. Eles analisaram documentos do banco e chegaram a sugerir alterações antes do envio para autoridades supervisoras.
AUDIÊNCIA DE GALÍPOLO
A audiência foi aprovada pela comissão depois da liquidação do banco e da operação da Polícia Federal que mirou executivos ligados ao Banco Master. Os senadores querem ouvir Galípolo sobre a atuação do BC antes da decisão e sobre os efeitos da medida no sistema financeiro.
O Banco Master estava no centro de negociações com o BRB (Banco de Brasília) antes da liquidação. A compra de parte da instituição pelo banco público foi barrada pelo BC em setembro de 2025. A autoridade monetária decretou a liquidação depois de identificar problemas que inviabilizaram a continuidade das operações.
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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/nao-publicar-fake/