59% reduziram compras internacionais após “taxa das blusinhas”

Pesquisa da CNDL mostra que 18,3% deixaram de comprar em sites estrangeiros e 40,7% passaram a comprar menos depois do imposto sobre importados de até US$ 50

Levantamento mais recente da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) mostra que 59% dos brasileiros diminuíram ou pararam de comprar em sites internacionais de junho de 2024 a junho de 2025. Desse total, 18% afirmaram que pararam completamente de comprar em plataformas estrangeiras. A chamada “taxa das blusinhas”, que criou cobrança de 20% sobre importações de até US$ 50, entrou em vigor em 1º de agosto de 2024.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinou na 3ª feira (12.mai.2026) a medida provisória que zera o imposto de importação sobre essas compras internacionais. A nova regra já entrou em vigor.

O levantamento mostra que 96% dos brasileiros fizeram compras em sites internacionais de junho de 2024 a junho de 2025, mesmo com a chamada “taxa das blusinhas”. 

De 2024 para 2025, o percentual da população que compra em sites internacionais foi de 97,6% para 95,8%, queda de quase 2 pontos percentuais. 

Já o percentual de brasileiros que fizeram compras em sites nacionais registrou queda de 18 pontos percentuais no período. Foi de 89% para 70,9%.

A pesquisa foi realizada de 13 a 25 de junho de 2025. Foram feitas 1.094 entrevistas para identificar o percentual de pessoas que compraram pela internet nos 12 meses anteriores. As perguntas foram feitas para os 800 entrevistados (de 1.094) que disseram ter feito compras em sites internacionais no período anterior da pesquisa. A margem de erro é de 2,96 e 3,46 pontos percentuais respectivamente. Leia a íntegra (PDF – 2 MB).

FIM DO IMPOSTO

Lula assinou a medida provisória que acaba com a “taxa das blusinhas” em uma reunião fechada, sem acesso de jornalistas. A assinatura também não estava prevista na agenda pública do presidente. As novas regras fazem parte de uma estratégia eleitoral do petista para a campanha a um 4º mandato presidencial. Leia a íntegra (PDF – 67 KB).

A medida assinada por Lula não altera a cobrança de ICMS, imposto que também é cobrado nessas compras e que varia de Estado para Estado. 

A medida provisória tem validade de até 120 dias. O Congresso precisa aprovar o texto nesse período. Caso contrário, a medida prescreve e o imposto volta a vigorar. Durante o recesso dos congressistas, em julho, o prazo para de contar. Mas como haverá eleições em outubro, o Congresso costuma não avançar em votações importantes no 2º semestre.

Agora criticada por Lula e parte de seus aliados, a “taxa das blusinhas” foi defendida pela equipe econômica do governo e contou com a atuação de aliados do Planalto para entrar em vigor, como mostrou o Poder360.

O QUE DIZ A INDÚSTRIA

A decisão do governo Lula provocou reação imediata de entidades da indústria e do varejo e das plataformas de comércio internacional.

Em nota (íntegra – PDF – 77 kB), a CNI (Confederação Nacional da Indústria) afirmou que a medida representa “uma vantagem concedida a indústrias estrangeiras em detrimento do setor produtivo nacional”. Segundo a entidade, o impacto será maior sobre micro e pequenas empresas e poderá provocar perda de empregos.

A Abit (Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) classificou a revogação da cobrança como “extremamente equivocada”. Segundo a entidade, a medida amplia a desigualdade tributária entre empresas brasileiras e plataformas internacionais.

“É inadmissível que empresas brasileiras arquem com elevada carga tributária, juros reais altíssimos e custos regulatórios enquanto concorrentes estrangeiros recebem vantagens ainda maiores para acessar o mercado nacional”, afirmou a Abit.

A associação argumentou que a decisão pode afetar a arrecadação pública. Dados da Receita Federal indicam que, de janeiro a abril de 2026, o imposto arrecadou R$ 1,78 bilhão, alta de 25% em relação ao mesmo período do ano passado.

A Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil) disse “repudiar com veemência” o fim da tributação. Para a entidade, a medida representa “um grave retrocesso econômico e um ataque direto à indústria, ao varejo nacional e aos 18 milhões de empregos gerados no Brasil” e pode “penalizar as empresas brasileiras, especialmente as micros e pequenas, que produzem, empregam e sustentam a arrecadação do país”.

A entidade defendeu a criação de medidas compensatórias para evitar fechamento de empresas e perda de postos de trabalho. Eis a íntegra da nota (PDF – 106 kB).

A Frente Parlamentar Mista em Defesa da Propriedade Intelectual e Combate à Pirataria também criticou a decisão.

“Não existe competitividade quando o empresário brasileiro paga impostos altos e o produto importado entra sem tributação. Isso prejudica empregos, produção nacional e o comércio formal”, declarou o presidente da frente, deputado Júlio Lopes (PP-RJ).

Leia mais:

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/59-reduziram-compras-internacionais-apos-taxa-das-blusinhas/

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