Eduardo controlou orçamento do filme de Bolsonaro, diz site

PF apura se dinheiro de Daniel Vorcaro custeou despesas do filho do ex-presidente nos EUA; Eduardo diz que se tornou produtor executivo de “Dark Horse” por investir dinheiro próprio

Documento divulgado pelo jornal digital Intercept Brasil nesta 6ª feira (15.mai.2026) mostra que o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) assinou como produtor executivo do filme “Dark Horse“, que narra a trajatória de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O contrato, assinado em 30 de janeiro de 2024, atribui a Eduardo responsabilidades diretas de controle de orçamento do projeto audiovisual.

Os registros contradizem afirmações de Eduardo, feitas na 5ª feira (14.mai), sobre sua relação com o filme. Segundo outra reportagem do Intercept Brasil, Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, financiou o projeto. A Polícia Federal apura se o dinheiro de Vorcaro serviu para custear despesas de Eduardo nos Estados Unidos e bancar uma rede internacional de apoio político à família Bolsonaro. 

O contrato de produção, datado de novembro de 2023, traz a empresa GoUp Entertainment, sediada nos Estados Unidos, como produtora. Eduardo e deputado federal Mário Frias (PL-SP) aparecem à frente da produção executiva.

Reprodução/Intercept Brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro cedeu “os direitos de história de vida” para a produção, inicialmente intitulada “O Capitão do Povo”

O documento especifica que produtora e produtores executivos atuariam conjuntamente nas atividades de desenvolvimento do filme.

As funções descritas incluem “envolvimento nas considerações estratégicas relacionadas ao financiamento do filme e preparação de informações e documentação para investidores e assistência na identificação de recursos de financiamento de filmes, incluindo créditos e incentivos fiscais, colocação de produtos e patrocínio”.

Reprodução/Intercept Brasil

Outro documento, datado de fevereiro de 2024, mostra uma minuta de aditivo de contrato para a produção de “Dark Horse” em que Eduardo é qualificado como “financiador” do filme e autoriza o uso de recursos financeiros que ele investir no projeto. Não há confirmação se o aditivo foi efetivamente assinado.

Embora ele diga não ser “dono do filme”, o contrato datado de novembro de 2023 e assinado digitalmente por Eduardo Bolsonaro em 30 de janeiro de 2024 designa explicitamente Eduardo e Frias como tendo poder de gestão e decisão sobre a produção, juntamente com a A Go Up Entertainment, empresa sediada na Flórida, administrada pela brasileira Karina Ferreira da Gama.

O documento que o designa como “financiador” contradiz sua declaração de que teria apenas cedido “direitos de imagem”.

Reprodução/Intercept Brasil

EDUARDO DIZ NÃO SER MAIS PRODUTOR

Em vídeo publicado nesta 6ª feira (15.mai), Eduardo confirmou ter se tornado “diretor executivo do filme” no início do projeto, quando aplicou R$ 350 mil arrecadados por ele, por meio da plataforma de cursos Ação Conservadora, lançada no início de 2024, em conjunto com seu irmão Carlos Bolsonaro (PL), pré-candidato ao Senado por Santa Catarina.

“Com o dinheiro dos recursos da ação conservadora, eu peguei 350 mil reais, transformei em cerca de 50 mil dólares e mandei para os Estados Unidos. Por quê? Para garantir o contrato com o diretor de Hollywood, para que ele pudesse fazer o roteiro, começar a rascunhar, desenhar essa história, que lá na frente, se conseguirmos, sermos um investidor, ou um grupo de investidores, fazer o filme acontecer”, disse.

Eduardo afirmou que, depois, quando o projeto do filme passou a receber outros financiamentos, ele deixou a posição de “diretor executivo”.

“Quando essa estrutura passou a ser uma estrutura de fundos de investimento, eu saí dessa posição de diretor executivo, que era o contrato antigo com a produtora, e passei então a ser somente uma pessoa que assinou a sua sessão de direitos autorais para que um ator pudesse me representar no filme e depois eu não processasse o filme […] Quem fala que Eduardo Bolsonaro recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro é mentiroso” declarou.

Em nota publicada na 5ª feira (14.mai), o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nega que o dinheiro enviado por Daniel Vorcaro ao filme tenha sido destinado a Eduardo, seu irmão. “Os aportes foram direcionados a um fundo específico da produção, com estrutura jurídica própria e fiscalização nos Estados Unidos”, afirmou. Flávio não detalhou a quantia.

O Poder360 procurou as assessorias de Eduardo Bolsonaro, Mário Frias e Daniel Vorcaro, por meio de WhatsApp para perguntar se gostariam de se manifestar a respeito do caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

ARTICULAÇÃO DE REPASSES

Apesar de Eduardo dizer que se afastou da produção executiva do filme, troca de mensagens divulgada pelo Intercept Brasil destaca o papel de articulador financeiro exercido por Eduardo na produção ainda em 21 de março de 2025.

A conversa é de Daniel Vorcaro com o empresário Thiago Miranda, fundador e sócio do Portal Leo Dias, que atuou como intermediário entre o ex-banqueiro, a família Bolsonaro e o deputado Mário Frias nas negociações sobre o projeto.

Miranda encaminhou a Vorcaro uma captura de tela de mensagem que recebeu de Eduardo. Na mensagem enviada a Miranda, Eduardo Bolsonaro escreveu: “O ideal seria haver os recursos já nos EUA. Que dos EUA para o EUA é tranquilo. Se a empresa brasileira a enviar aos EUA não tiver aquele grande orçamento que mencionamos como exemplo, será problemático, vai ser necessário fazer as remessas aos poucos e isto tardaria cerca de 6 meses, calculamos.”

Em seguida, Eduardo explicou como seria a melhor forma de enviar o dinheiro: “Solução: enviar o máximo possível ainda neste sistema atual, com o remetente atual e etc. Será que conseguimos?”.

Reprodução/Intercept Brasil

O Poder360 procurou a assessoria de Thiago Miranda, por meio de WhatsApp para perguntar se gostaria de se manifestar a respeito do caso. Não houve resposta até a publicação desta reportagem. O texto será atualizado caso uma manifestação seja enviada a este jornal digital.

ENTENDA O CASO

Mensagens e audios vazados da conversa entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro mostraram que o fundador do Master se comprometeu a pagar R$ 134 milhões para financiar a produção de “Dark Horse”. 

De acordo com o texto, o ex-banqueiro pagou R$ 61 milhões de fevereiro e maio de 2025. As transferências foram direcionadas ao fundo Havengate Development Fund LP, localizado no Texas, Estados Unidos. Paulo Calixto, advogado de Eduardo, está entre os agentes do fundo.

O Poder360 tentou entrar em contato com Paulo Calixto, mas não teve sucesso em encontrar um telefone ou e-mail válido para informar sobre o conteúdo desta reportagem.

Em 16 de novembro de 2025, Flávio cobrou o repasse do restante dos recursos prometidos. Referiu-se ao ex-banqueiro como “irmão” e declarou que estaria ao seu lado “sempre”. No dia seguinte, Vorcaro foi preso pela Polícia Federal na operação Compliance Zero, que investiga fraudes financeiras.

O Intercept Brasil diz ter documentos que comprovam as transações, mas não os publicou e nem detalhou como chegou a essas cifras. Flávio confirmou a negociação, mas não detalhou os valores.

“Não ofereci vantagens em troca. Não promovi encontros privados fora da agenda. Não intermediei negócios com o governo. Não recebi dinheiro ou qualquer vantagem”, afirmou Flávio em resposta à reportagem.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-cultura/eduardo-controlou-orcamento-do-filme-de-bolsonaro-diz-site/

Deixe um comentário