Estatal negocia entrada em associação de produtores de biodiesel, estuda reabrir planta parada e mira mercado de matéria-prima
A Petrobras planeja nova ofensiva no mercado de biodiesel por meio da sua subsidiária PBio (Petrobras Biocombustível). A estratégia da estatal para conquistar espaço no setor passa pela aproximação com novos parceiros de negócios e integração à Ubrabio (União Brasileira do Biodiesel e Bioquerosene), a principal associação de biocombustíveis do país.
A presença no 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene representa o movimento da empresa em direção ao setor. A empresa aproveitou o evento para negociar acordos comerciais, que ainda estão em fase inicial.
“A nossa decisão é fortalecer a atuação da Petrobras no segmento de biodiesel, tanto por meio da nossa subsidiária, PBio, como também prospectando parcerias, interlocuções, seja do ponto de vista comercial, seja do ponto de vista societário”, disse o gerente executivo de Transição Energética da Petrobras, William Nozaki.
Em conversa com jornalistas durante o evento, Nozaki detalhou parte da estratégia da empresa para o mercado de biodiesel: “A gente tem reorganizado a nossa relação com o setor, o diálogo com o setor, exatamente na perspectiva de fortalecer os nossos ativos neste segmento”.
A estatal opera duas usinas de biodiesel em Montes Claros (MG) e Candeias (BA), e estuda a reativação da unidade hibernada em Quixadá (CE), paralisada desde 2016 por decisão da empresa. A produção atual das duas plantas ativas é de 250 mil e 300 mil toneladas anuais, com perspectiva de crescimento nos próximos anos.
A companhia tem atualmente um pacote de R$ 4,8 bilhões destinado ao biorrefino, mas cogita reavaliar o planejamento caso decida reabrir a usina cearense. Como parte da nova estratégia, já estão previstos aportes na modernização tecnológica das duas unidades em funcionamento.
ENTRADA NA UBRABIO
Durante participação no Fórum, Nozaki anunciou que a estatal está pleiteando o ingresso na Ubrabio, que representa nacionalmente toda a cadeia produtiva de biocombustíveis.
“A orientação estratégica da Petrobras é fortalecer a PBio. Entendemos que a PBio é um instrumento fundamental para a atuação do sistema Petrobras junto ao segmento de biodiesel. E é nesse sentido que aproveito para anunciar que a PBio e a Petrobras estão pleiteando o ingresso da nossa subsidiária na Ubrabio”, disse o gerente executivo.
A estatal aproveitou o fórum para articular, sobretudo, acordos para comercializar o diesel coprocessado com óleo vegetal, conhecido como Diesel R, um combustível produzido com derivados de petróleo e matérias-primas de origem renovável.
“Entendemos que o Diesel R é um ponto fundamental de diálogo com o segmento de biodiesel, na medida em que a produção desse coprocessado gera e antecipa uma demanda por matérias-primas que faz com que a Petrobras e o setor de biodiesel se enxerguem como parceiros nesse processo”, disse Nozaki.
Caio Gomes/W1 Agency
O gerente executivo de Transição Energética da Petrobras, William Nozaki, falou a jornalistas durante o 3º Fórum Biodiesel e Bioquerosene, em São Paulo
Outro possível ponto de encontro entre a Petrobras e a indústria do biodiesel é a demanda da estatal por matéria-prima. O principal desafio da PBio é que a empresa não tem capacidade de esmagamento –o processo de extrair óleo dos grãos.
A Petrobras estuda modelos de negócio que permitam acesso ao esmagamento por conta própria ou por meio de parceiros. Há, inclusive, conversas dentro da empresa para incorporar esmagamento de soja nas operações.
MISTURA DO DIESEL
Na contramão da principal demanda do setor de biocombustíveis, a Petrobras evitou se posicionar a favor do aumento da mistura obrigatória do biodiesel no diesel convencional dos atuais 15% (B15) para 16% (B16).
Executivos, congressistas e associações produtivas pressionam o governo pelo avanço da mistura, que favorece o setor de biodiesel. A estatal, no entanto, avalia o processo com cautela e defende a realização dos testes estabelecidos por lei para comprovar a viabilidade técnica da mistura.
“A gente apoia a implementação da lei com a previsão de todos os testes estabelecidos, com o tempo adequado para que a gente possa fazer as mensurações. Para que o conjunto da cadeia produtiva, tanto os produtores de matéria-prima, assim como os produtores de combustíveis e os produtores de motores, possa ter tranquilidade”, disse Nozaki.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-energia/petrobras-planeja-avanco-no-mercado-de-biocombustiveis/