Saiba o que o Brasil tem a perder com viagem de Trump à China

Líder norte-americano mira acordos benéficos aos EUA em áreas em que compete com o Brasil no mercado chinês

O encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), e o presidente da China, Xi Jinping (Partido Comunista da China), em Pequim nesta 4ª feira (13.mai.2026), deve reverberar no mundo todo, tanto nas posições geopolíticas que os países colocarão em xeque quanto no rearranjo dos fluxos comerciais.

Embora o Brasil não esteja diretamente envolvido nos principais temas geopolíticos que devem ser postos à mesa –Taiwan e a guerra no Irã– , o país pode sair perdendo caso Trump consiga emplacar os acordos comerciais que tem em mente. O chefe da Casa Branca quer abrir mais da economia chinesa para as empresas norte-americanas, e isso pode afetar o Brasil, pois os EUA são concorrentes diretos no mercado chinês.

Uma das propostas que Trump pretende apresentar a Xi é a retomada das exportações de petróleo e gás norte-americanos para a China. Segundo dados da Administração Geral das Alfândegas da China, o país asiático não importa petróleo cru dos EUA desde junho de 2025. É uma resposta à guerra tarifária iniciada em março do ano passado. O impacto foi uma perda de 5 vezes da arrecadação com a venda da commodity para a China em 2025, na comparação com 2024.

Por outro lado, o Brasil se mantém como um dos principais parceiros da China no setor petrolífero. Desde 2024, as exportações brasileiras foram superiores às norte-americanas em todos os meses, mas houve um incremento nas receitas brasileiras depois que a China fechou esse canal para os EUA.

É improvável que Trump tenha sucesso em negociar uma retomada na compra de petróleo norte-americano em grandes volumes, mesmo com a China sendo um dos países mais impactados pelo óleo que deixa de chegar por causa do bloqueio do estreito de Ormuz.

A China não interfere diretamente no confronto, mas tem dado apoio ao governo iraniano nos palcos internacionais. Comprar petróleo dos EUA seria como financiar a operação no Oriente Médio, e essa possibilidade está distante.

Caso consiga destravar esse mercado, o Brasil ainda terá ampla vantagem frente aos norte-americanos. O país só perderia terreno no longo prazo se o convencimento de Trump for extraordinário.

Duelo da soja

O Brasil tem muita vantagem ante os EUA no comércio de petróleo com a China, mas não se pode dizer o mesmo no setor agrícola. A disputa é mais acirrada, com a soja brasileira tendo superado a norte-americana em grandes volumes nos últimos 2 anos. No entanto, os EUA viraram o placar em março deste ano, o que não se dava desde fevereiro de 2025.

Assim como no petróleo, a China puniu os EUA com a suspensão de importações em virtude das tensões comerciais do ano passado. O Brasil se beneficiou, batendo recorde de receitas com soja em 2025 (US$ 36,9 bilhões).

Da última vez que Trump e Xi se encontraram, em outubro de 2025 na Coreia do Sul, uma das conquistas mais celebradas por Trump foi a retomada das vendas de soja para a China. Segundo a Administração Geral das Alfândegas, a soja norte-americana voltou a desembarcar em solo chinês em janeiro deste ano.

Agora Trump quer mais e busca costurar um acordo que beneficie ainda mais os produtores norte-americanos –uma base eleitoral forte do republicano. Sabendo que Trump precisa agradar os produtores rurais, Xi pode ter mais boa vontade com a soja norte-americana para também extrair boa vontade do norte-americano.

TERRAS-RARAS

No setor mineral, a situação é diferente. Na comitiva norte-americana a Pequim, estão executivas das maiores empresas de tecnologia dos EUA. Isso dá um tom claro de que a Casa Branca quer um acordo mais firme e duradouro com a China para garantir um abastecimento robusto de terras-raras –materiais usados para fabricação de chips e ímãs essenciais para o setor tecnológico de ponta.

Além das maiores reservas de terras-raras do mundo, a China concentra 90% do refino mundial. Esse cenário coloca os chineses em uma clara vantagem sobre os norte-americanos. Se um acordo não sair da forma desejada pelos EUA, o Brasil é quem pode se beneficiar.

Dono da 2ª maior reserva de terras-raras do planeta, o Brasil se tornaria a opção mais viável para abastecer as indústrias norte-americanas. Caso saiba aproveitar um momento em que os EUA estejam contra a parede, é possível negociar um acordo mais benéfico que permita ao país qualificar seu parque de refino com o apoio tecnológico norte-americano.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/saiba-o-que-o-brasil-tem-a-perder-com-viagem-de-trump-a-china/

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