Estudo afirma que a BYD é a 6ª marca mais usada por motoristas no país e já supera Toyota, Ford, Nissan e Honda em número de viagens
Carros de marcas chinesas representaram quase 8% das corridas por aplicativo realizadas no Brasil em fevereiro de 2026, segundo levantamento da Machine, empresa de tecnologia especializada em dados e inteligência artificial para mobilidade urbana.
O estudo levou em conta aproximadamente 54 mil veículos e 7,4 milhões de corridas realizadas durante o mês. Eis a íntegra (PDF – 676 KB)do relatório.
O avanço é puxado principalmente pela BYD. A montadora concentrou 7,12% das viagens analisadas e aparece como a 6ª marca mais usada por motoristas de aplicativo, à frente de fabricantes tradicionais como Ford, Toyota, Nissan e Honda.
Os dados da Machine também mostram um crescimento da presença das marcas chinesas no segmento. Em levantamento anterior, realizado entre janeiro e setembro de 2025 com base em 80 milhões de corridas, só 3,8% das viagens haviam sido feitas com veículos de montadoras chinesas.
Naquele período, a BYD ainda ocupava a 9ª posição entre as marcas mais utilizadas por motoristas de aplicativo, com 3,53% das corridas, atrás de Toyota e Renault.
Em menos de 1 ano, a participação da fabricante praticamente dobrou e a empresa subiu 3 posições no ranking.
DEMANDA POR ELÉTRICOS E HÍBRIDOS
O avanço das montadoras chinesas no segmento acompanha a expansão dessas marcas no mercado brasileiro. Empresas como BYD, GWM, CAOA Chery e Geely ampliaram sua presença no país nos últimos anos com novos modelos, abertura de concessionárias e investimentos em produção local.
Todas essas montadoras também têm como foco a venda de veículos elétricos e híbridos, segmento que ganhou espaço entre motoristas de aplicativo por oferecer menor custo com combustível e manutenção.
No caso da profissional de tecnologia da informação e motorista de aplicativo Tatiana Linck, de 50 anos, essa vantagem pesou na decisão de compra.
Ela decidiu adquirir um automóvel em dezembro de 2025 depois de se mudar de um apartamento na Asa Sul, em Brasília, para uma casa em uma região mais afastada da cidade. Comprou um Geely EX5, SUV elétrico lançado recentemente pela fabricante chinesa Geely.
Para evitar que as prestações do veículo impactassem a renda familiar, Tatiana passou a trabalhar como motorista de aplicativo nas horas vagas. Atualmente, dirige cerca de 5 horas por dia e afirma receber, em média, R$150 diários com as corridas.
Segundo ela, o carro elétrico exige um gasto de entre R$60 e R$70 para carregar o veículo em eletropostos, valor suficiente para uma autonomia próxima de 400 km. O abastecimento é feito, em média, a cada 2 dias.
Tatiana diz que pretende continuar trabalhando como motorista mesmo depois de quitar o automóvel. Atualmente, atua na modalidade Uber Mulher, voltada exclusivamente para passageiras do sexo feminino.
“Eu acho muito agradável. Conheço muita gente interessante”, afirmou.
Ela também não pretende voltar a usar veículos movidos à combustão. Diz que se só trocaria o carro por outro elétrico.