Levantamento foi feito para o Dia das Mães, comemorado neste domingo (10.mai.2026); congressistas de esquerda e direita divergem sobre aborto, vacinação e papel do Estado
Das 101 congressistas em exercício no Brasil, 84 são mães, segundo levantamento do Poder360. Entre as deputadas federais, 71 das 87 (81,6%) têm filhos, ante 16 (18,4%) sem filhos. No Senado, 13 das 14 senadoras (92,9%) são mães.
A predominância de mães no Congresso tem se refletido na quantidade de leis para ampliar direitos ligados à maternidade e ao cuidado com recém-nascidos. Na atual 57ª Legislatura, iniciada em 2023, destacam-se 5 projetos sancionados pelo Executivo:
PRIORIDADES DE ESQUERDA E DIREITA
Mãe de Olívia, 6 anos, e Helena, 1 ano, Júlia Zanatta (PL-SC) afirma que sua atuação é guiada por uma agenda de redução da intervenção do Estado na vida das famílias.
“Qualquer projeto que o Estado se meta menos na vida das mães favorece as mães”, disse a deputada em entrevista ao Poder360, que considera que as medidas econômicas e de desoneração têm impacto direto na criação dos filhos e na renda familiar.
A deputada afirmou ser contrária a qualquer tipo de aborto e defendeu projetos como o fim da obrigatoriedade da vacinação contra a covid-19 em crianças. A congressista faz referência às multas aplicadas a pais que deixarem de vacinar os filhos contra o coronavírus, conforme decisão da Terceira Turma do Superior Tribunal de Justiça em maio de 2025.
Por isso, Júlia Zanatta é autora do Projeto de Lei 1978/2026, que concede anistia a multas aplicadas a responsáveis legais por crianças e adolescentes em razão do descumprimento de obrigações relacionadas à vacinação contra a covid-19.
A deputada também defende políticas para o aumento da taxa de natalidade no país como uma prioridade de política pública e afirmou ser contrária a qualquer tipo de aborto. “Não se faz futuro sem nascimento. Isso não é pauta feminina (aborto), mas uma agenda global em curso para tentar diminuir e frear o crescimento da população”, disse Zanatta.
No Brasil, o aborto é permitido em 3 situações: quando a gravidez resulta de estupro, quando há risco de vida para a gestante e em casos de anencefalia fetal.
A deputada também citou um episódio em que levou a filha ao plenário durante uma ocupação da Mesa Diretora da Câmara, ocasião em que foi criticada por adversários políticos sob acusação de utilizar a criança como “escudo”. Ela nega a acusação e afirma que não havia alternativa naquele momento por estar amamentando.
“Eu não tinha uma pessoa em Brasília. Eu estava voltando da minha licença maternidade. Eu não tinha uma pessoa em Brasília para deixar ela. Então, eu fui julgada como mãe, atacaram a minha maternidade, me atacaram como mulher”, disse Zanatta.
Sérgio Lima/Poder360 – 6.ago.2025
Júlia Zanatta levou sua filha Helena ao plenário da Câmara dos Deputados durante ocupação da Mesa Diretora
Já a deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-MS), vice-líder do PT na Câmara, afirma que a prioridade da bancada petista está na ampliação da rede de proteção social para mães e crianças.
Mãe de Verônica, 31 anos, e Helena, 7 anos, a vice-presidente da Comissão dos Direitos da Mulher disse ao Poder360 que as mulheres na política enfrentam uma “tripla jornada” entre mandato, cuidado dos filhos e as cobranças sociais relacionadas à maternidade.
“Quando uma mulher entra na política, as pessoas perguntam quem cuida da filha dela. Isso jamais acontece com homens”, disse a delegada.
Acervo pessoal
Em 2019, Adriana Accorsi, então deputada estadual, levava sua filha Helena às assembleias
Segundo Accorsi, pautas como ampliação de creches, escolas em tempo integral, apoio a mães atípicas, combate à violência contra a mulher e autonomia financeira feminina estão entre as principais agendas defendidas pelo PT.
“Hoje quase 50% dos lares são chefiados por mulheres. Elas precisam trabalhar. Precisa ter creche, precisa ter escola em tempo integral”, afirmou.
Ao comentar divergências com congressistas da oposição, Accorsi afirmou que há diferenças “profundas” em temas como apoio ao aborto legal já estabelecido pela legislação e direitos das mulheres.
“Elas apresentam projetos que tiram direitos nossos. Nós divergimos totalmente”, disse a deputada, citando o Projeto de Lei 1904/2024, chamado pela esquerda de “PL do Estupro“. A proposta, assinada por 54 congressistas de 10 partidos (PL, PP, MDB, Republicanos, União Brasil, PRD, Avante, PSDB, PSD e Podemos), equipara o aborto realizado depois de 22 semanas ao crime de homicídio, inclusive em casos de gravidez resultante de estupro.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/84-das-congressistas-brasileiras-sao-maes/