Presidente do PP questiona lançamento de 2 programas de renegociação de dívidas em 1 único mandato de Lula
O senador Ciro Nogueira (PP-PI) criticou nesta 3ª feira (5.mai.2026) o programa Desenrola 2 do governo federal. O presidente nacional do Progressistas questionou a necessidade de uma 2ª edição da medida durante o mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e afirmou que a iniciativa não resolve problemas estruturais da economia brasileira.
O congressista afirmou que o lançamento de uma nova versão do programa evidencia falhas na gestão do governo. Segundo ele, a administração federal não implementou políticas preventivas para evitar o endividamento da população.
“Se o governo lança dois ‘Desenrola’ no espaço de apenas um mandato, é porque faltou fazer sua parte para evitar que os brasileiros se enrolassem em primeiro lugar”, escreveu o senador na rede social X.
Nogueira vinculou a política fiscal do governo à inflação e aos juros elevados. O senador afirmou que os gastos públicos pressionam os preços, mantêm as taxas de juros em patamares elevados e reduzem o poder de compra da população.
“O descontrole fiscal do Planalto não é prejudicial somente pelo mal exemplo que vem de cima. A política de gastos desenfreados cria a escalada de preços, que mantém os juros altos, comprimindo cada vez mais a renda dos brasileiros. Enquanto não atacar o problema real, o governo apenas enxuga gelo a espera do Desenrola 3.0 que certamente virá”, afirmou Ciro Nogueira.
2ª FASE DESENROLA
O presidente Lula assinou, na 2ª feira (4.mai.2026), a medida provisória do Desenrola 2.0. A 2ª fase do programa de renegociação de dívidas contempla 4 categorias: empresas, estudantes do Fies (Fundo de Financiamento Estudantil), empreendedores rurais e famílias —grupo considerado o carro-chefe da medida.
Entre as novidades da nova fase do programa estão a inclusão de débitos de estudantes, que somam R$ 120 bilhões, o aumento do tempo de carência, do prazo das operações e da tolerância a atrasos para empresas, além da ampliação do prazo do Desenrola Rural.
EMPRESAS
As microempresas (com faturamento anual de até R$ 360 mil) poderão usar recursos do Procred ou do FGO (Fundo Garantidor de Operações). Terão carência máxima de 24 meses, prazo máximo das operações de 96 meses e tolerância de atraso de 90 dias para concessão de novos créditos.
Além disso, houve aumento do valor total do crédito de 30% do faturamento (com teto de R$ 150 mil) para 50% (com teto de R$ 180 mil). Em empresas lideradas por mulheres, o limite chega a 60% do faturamento (com teto de R$ 180 mil).
Já as micro e pequenas empresas (com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões) poderão usar recursos do Pronamp ou do FGO. As condições são as mesmas das microempresas. A diferença está no aumento do valor do crédito, de R$ 250 mil para R$ 500 mil.
FIES
Para o Fies, o programa atende estudantes inscritos ou não no CadÚnico com dívidas em atraso de 90 dias a mais de 1 ano.
Para débitos vencidos há mais de 90 dias, o pagamento poderá ser feito à vista, com desconto de todos os juros e multas e de 12% do principal, ou parcelado em até 150 vezes, com desconto de juros e multas.
Para estudantes fora do CadÚnico, dívidas não pagas há mais de 1 ano têm desconto de até 77%, incluindo principal, juros e multa, com liquidação integral do saldo devedor.
Para os inscritos no CadÚnico, há desconto de até 99%, também com liquidação integral do saldo devedor.
EMPREENDEDORES RURAIS
Para os empreendedores rurais, houve ampliação do prazo do Desenrola Rural. A expectativa é que a medida alcance mais 800 mil agricultores familiares —ou seja, 1,3 milhão de pessoas.
FAMÍLIAS
O programa inclui famílias com renda de até 5 salários mínimos, com dívidas em atraso de 90 dias a 2 anos e contraídas até 31 de janeiro de 2026.
Os débitos terão descontos de 30% a 90%, com taxa de juros máxima de 1,99% ao mês e prazo de até 48 meses. Haverá prazo de até 35 dias para pagamento da 1ª parcela.
Quem aderir ao programa terá o CPF bloqueado em casas de apostas on-line por até 1 ano.
DESENROLA
A 1ª fase do Desenrola foi anunciada em 2024 e beneficiou mais de 15 milhões de pessoas com a renegociação de R$ 53 bilhões em dívidas. Segundo o Ministério da Fazenda, houve uma queda de inadimplência na época.
Apesar disso, levantamento do Serasa mostra que 82,8 milhões de brasileiros estavam negativados em março.