Banco Central diz que cenário de incerteza exige “cautela”

Autoridade monetária afirma que próximos passos para definir a Selic dependem da “profundidade” dos conflitos no Oriente Médio

O Banco Central disse que o atual cenário de incerteza global exige “serenidade e cautela” na condução da política monetária. Afirmou que os passos futuros na definição da taxa básica, a Selic, dependerão de novas informações que “aumentem a clareza sobre a profundidade e extensão dos conflitos no Oriente Médio”.

A autoridade monetária disse que a demora na resolução do conflito no Oriente Médio, “com informações incompletas e contraditórias”, aumenta a probabilidade de impactos mais duradouros para as cadeias de produção e distribuição. O BC divulgou a ata da última reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) nesta 3ª feira (5.mai.2026). Eis a íntegra (PDF – 392 kB).

A autoridade monetária decidiu cortar na 4ª feira (29.abr) a Selic em 0,25 ponto percentual. O juro-base caiu de 14,75% para 14,50% ao ano. A decisão era esperada pelos agentes financeiros e foi unânime entre os diretores.

O BC promoveu o 2º corte consecutivo nos juros, totalizando 0,50 ponto percentual de queda acumulada. Na reunião anterior, o Copom (Comitê de Política Monetária) reduziu a Selic também em 0,25 ponto percentual.

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, disse, em 30 de março, que havia uma “gordura” na política monetária mesmo depois das pressões inflacionárias provocadas pelo conflito no Oriente Médio.

A ata desta 3ª feira (5.mai) citou 6 vezes a guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos. Disse que o ambiente externo permanece incerto, em função da “indefinição a respeito da duração, extensão e desdobramentos dos conflitos geopolíticos”.

A Selic está em patamar restritivo para frear a economia e controlar os preços. A inflação anualizada do Brasil, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), foi de 4,14% em março. Está dentro do intervalo permitido pela meta (3%), mas próximo ao teto (4,5%).

O Banco Central disse que as expectativas de inflação subiram após o início dos conflitos e permanecem acima da meta de inflação em todos os horizontes. A autoridade monetária revisou para 4,6% a inflação de 2026, acima do teto da meta.

O Banco Central já disse que a guerra pode ter impacto econômico significativo e duradouro. O patamar da Selic depende da “profundidade” e da “extensão” dos conflitos, segundo a última ata do Copom.

“As últimas divulgações de inflação, tanto ao consumidor quanto ao produtor, mostraram sinais claros de efeitos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio, situando-se em valores significativamente acima dos inicialmente esperados”, disse.

COPOM DESFALCADO

A reunião do Copom foi realizada sem ter todos os integrantes possíveis. O presidente Lula não indicou duas pessoas que poderiam ocupar os cargos da diretoria do Banco Central:

Diretor de Organização do Sistema Financeiro e de Resolução;
Diretor de Política Econômica.

Os mandatos de Renato Dias de Brito Gomes (Organização) e Diogo Abry Guillen (Política Econômica) terminaram em dezembro de 2025. Foram três reuniões com duas cadeiras vazias até agora.

O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad havia sugerido a Lula a indicação do secretário-executivo do Ministério do Planejamento e Orçamento, Guilherme Mello. A ideia, porém, não avançou. O economista não é bem avaliado entre os agentes financeiros por causa de frases sobre juros e inflação.

O Copom tem, segundo a lei de Autonomia Operacional de 2021, nove integrantes. São 8 diretores e o presidente do Banco Central. As reuniões têm sido feitas com quórum reduzido.

O último encontro, de 28 e 29 de abril, contou com 6 integrantes:

Gabriel Galípolo, presidente;
Ailton De Aquino Santos, diretor de Fiscalização;
Gilneu Vivan, ​diretor de Regulação​​;
Izabela Moreira Correa, diretora de Cidadania e Supervisão de Conduta;
Nilton David, diretor de Política Monetária​;
Paulo Picchetti, diretor de Assuntos Internacionais e de Gestão de Riscos Corporativos.

O diretor ​​Rodrigo Teixeira ​​​(Administração) não participou ​por motivo de morte de familiar em 1º grau.

Os indicados por Lula ainda precisarão ser sabatinados na CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado e aprovados em plenário da Casa.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-economia/banco-central-diz-que-cenario-de-incerteza-exige-cautela/

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