Estado de São Paulo tem o menor número de homicídios desde 2000

Mortes intencionais estão em queda há 6 anos, mostram dados do 1º trimestre; roubos também recuam, mas violência policial cresce com Tarcísio

O Estado de São Paulo registrou no 1º trimestre de 2026 o menor número de homicídios dolosos + latrocínios (roubos seguidos de morte) pelo menos desde 2000. Foram 624 registros em janeiro, fevereiro e março deste ano. Em 2025, haviam sido 679. Em 2022, antes de Tarcísio de Freitas (Republicanos) assumir o governo, foram 753 crimes do tipo. A queda foi de 17,1% na comparação com 4 anos antes e de 8,1% em 1 ano.

As mortes intencionais estão em queda desde 2021. A tendência de baixa vem desde antes disso, mas houve um repique no 1º ano da pandemia, como mostra o infográfico a seguir:

Os dados foram compilados pelo Poder360 no site da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Os números de 2026 foram divulgados na 5ª feira (30.abr.2026). Eis a íntegra do último boletim (PDF – 278 Kb).

“A redução dos índices é importante, mas enquanto houver vítimas, seguiremos firmes no enfrentamento à criminalidade. O objetivo é reduzir cada vez mais esses indicadores, ampliar a sensação de segurança da população e reforçar a mensagem de que no estado o criminoso não ficará impune”, declarou o secretário da Segurança Pública, Osvaldo Nico Gonçalves, ao comentar os números.

O governador Tarcísio é hoje o responsável pela condução da política de segurança pública em São Paulo, área que inclui a Polícia Militar e a Polícia Civil. Cabe a ele nomear os comandos das corporações e definir as diretrizes adotadas pelas forças policiais do Estado.

Tarcísio foi eleito em 2022 com um discurso “linha-dura” na área de segurança. Tomou posse em 2023. Sempre usa o tema como um trunfo de sua gestão. O político tentará a reeleição agora em 2026 e tem como seu principal adversário o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT).

Os dados do 1º trimestre deste ano mostram que, desde que o governador assumiu, caíram os registros de latrocínio, roubos e homicídios no Estado de São Paulo na comparação com iguais períodos. Os casos de estupros, lesão corporal dolosa e mortes em confrontos com a Polícia Militar tiveram alta.

A ocorrência que teve a maior alta foi a de morte em confronto com a PM: + 82,4% na comparação dos primeiros trimestres de 2026 com 2022. Tarcísio já defendeu as forças subordinadas a ele mais de uma vez de críticas por causa da letalidade. Disse em março de 2024 ter “tranquilidade” com esses números.

Os dados de mortes a cada 100 mil habitantes exibidos nos infográficos desta reportagem são importantes para avaliar se houve avanço ou piora nos indicadores de violência letal. Essa taxa permite uma comparação proporcional entre diferentes períodos, pois reduz distorções provocadas por variações no tamanho da população.

O CRIME NA CAPITAL

Os registros de homicídios dolosos e latrocínios na cidade de São Paulo também tiveram queda em 2026. Foram 128 ocorrências nos primeiros 3 meses deste ano, contra 143 no mesmo período do ano anterior. Em 2022, haviam sido 152 casos.

As políticas de segurança adotadas por Tarcísio também têm impacto direto na capital paulista. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) comanda a Guarda Civil Metropolitana, mas essa força tem atribuições mais restritas do que as polícias estaduais.

A GCM atua sobretudo na segurança urbana, na proteção de bens, serviços e espaços municipais e em ações preventivas, enquanto o policiamento ostensivo e a preservação da ordem pública cabem principalmente à Polícia Militar, subordinada ao governo estadual.

Desde 2022, os registros de latrocínio, roubos e homicídios dolosos caíram na cidade de São Paulo. Já os casos de furtos, estupros, lesão corporal dolosa e mortes em confrontos com a PM cresceram, como mostra o quadro abaixo:

MAIOR PROBLEMA: SEGURANÇA

Pesquisa Quaest realizada em São Paulo de 23 a 27 de abril mostrou que a violência é considerada o principal problema do Estado de São Paulo para 36% da população. A saúde vem em 2º lugar, citada como a maior preocupação por 19%. Eis a íntegra (PDF – 13 MB).

Essa percepção ruim que os eleitores têm sobre a segurança paulista será certamente tema na campanha eleitoral, com o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), tentando a reeleição e tendo Fernando Haddad (PT) como principal adversário.

SP: MONITORAMENTO PERMANENTE

O governo de São Paulo disse ao Poder360 que o enfrentamento à violência contra a mulher é “prioridade” e que monitora os indicadores para promoção de políticas públicas.

Sobre a alta das mortes por policiais, a Secretaria de Segurança Pública paulista declarou que “todas as ocorrências são rigorosamente investigadas”.

Leia a íntegra da nota:

“A Secretaria da Segurança Pública informa que os indicadores criminais são monitorados de forma permanente e analisados com base em séries históricas e recortes territoriais, o que permite qualificar a leitura dos dados e direcionar as ações operacionais.

“Em relação aos homicídios, tanto a capital quanto o estado registraram queda no acumulado do trimestre, com os menores índices da série histórica, iniciada em 2001 [no site, no entanto, há dados desde 1997]. Oscilações pontuais em recortes mensais são analisadas individualmente por meio do programa SP Vida, que subsidia ações integradas e mais assertivas de prevenção e repressão.

“Sobre as mortes decorrentes de intervenção policial, a SSP ressalta que todas as ocorrências são rigorosamente investigadas, com acompanhamento das corregedorias, do Ministério Público e do Poder Judiciário. Paralelamente, o Estado tem adotado medidas contínuas para redução da letalidade, como o aperfeiçoamento de protocolos operacionais, capacitação dos agentes e ampliação do uso de tecnologias e equipamentos de menor potencial ofensivo, como espargidores, bastões retráteis e armas de incapacitação neuromuscular, cujos investimentos superaram R$ 27,8 milhões na aquisição de mais de 3.500 unidades desse tipo.

“O Estado é referência em transparência e controle, com o uso de Câmeras Operacionais Portáteis (COPs) e monitoramento em tempo real das ações policiais. O total de equipamentos está sendo ampliado para 15 mil, representando aumento de 48,1% em relação aos contratos firmados na gestão anterior. Programas como o Muralha Paulista integram tecnologia, inteligência e bancos de dados para aumentar a eficiência das ações e reduzir a necessidade do uso da força. Atualmente, 610 municípios mostraram interesse na adesão desta política pública, sendo 205 já integrados. São mais de 125,5 mil câmeras interligadas e mais de 70% da população paulista coberta pelo sistema.

“Combate à violência contra a mulher

“O enfrentamento à violência contra a mulher, incluindo os casos de estupro, é prioridade do Governo de São Paulo, que tem intensificado de forma contínua a rede de proteção e os mecanismos de prevenção. O Estado ampliou a rede, com 144 DDMs e 173 Salas DDM para atendimento remoto, e o reforço de mais de 650 policiais. Além do mais, estão previstas 69 novas salas DDM, parte de um pacote de medidas anunciadas no final de março para ampliar as políticas públicas de combate à violência contra a mulher. O pacote também prevê ações que incluem a criação de um Plano de Metas Decenal de Enfrentamento à Violência contra a Mulher e a ampliação da rede de proteção, com atendimento itinerante, o Circuito Integrado de Proteção às Mulheres – SP Por Todas, acordo de cooperação com TJ para ampliar monitoramento eletrônico de agressores, entre outras medidas.

“A Polícia Civil também intensificou o combate a esses crimes, com grandes operações especializadas para responsabilização de agressores, como a Operação Damas de Ferro III, deflagrada nesta quinta-feira (30). Apenas nos últimos 3 meses, foram presos mais de 2 mil homens em flagrante ou por cumprimento de mandados judiciais relacionados a crimes contra mulheres.”

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-seguranca-publica/estado-de-sao-paulo-tem-o-menor-numero-de-homicidios-desde-2000/

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