“Acordo ajudará o Mercosul a se integrar”, diz embaixadora da UE

Segundo Marian Schuegraf, tratado comercial deve incentivar o bloco a integrar cadeias de valor globais internacionais

A embaixadora da União Europeia no Brasil, Marian Schuegraf, afirmou que o acordo comercial entre os países da União Europeia e do Mercosul ajudará na integração do bloco sul-americano. O tratado, que passa a valer provisoriamente a partir desta 6ª feira (1º.mai.2026), reduz tarifas no comércio entre os 2 grupos.

“Hoje em dia é importante investir em grandes mercados, e a região do Mercosul apresentará uma nova área de investimento tão atraente, que verá um aumento na política econômica internacional”, afirmou em entrevista ao Poder360.

Segundo a embaixadora, a consolidação do acordo –que demorou 26 anos para ser aprovado– tornará o Mercosul mais “atraente” para empresas de mercados internacionais. Para Schuegraf, o entendimento ajudará a integrar as indústrias dos países sul-americanos às cadeias de valor internacionais.

“É uma das maiores vantagens do acordo. Isso ajudará o Brasil, por exemplo, a passar de uma economia exportadora muito orientada a commodities para uma área econômica mais voltada para bens manufaturados e inovação”, declarou.

O bloco sul-americano terá isenção mais rápida para a exportação de commodities, enquanto o lado europeu contará com uma flexibilização gradual, concentrada no longo prazo. O acordo foi desenhado com uma abertura assimétrica: produtos do Mercosul ganham acesso mais ágil ao mercado europeu, ao passo que a redução de tarifas para bens europeus no Mercosul se dá gradualmente.

A diplomata disse que o Itamaraty “desempenhou um papel de destaque” para aprovação no acordo Mercosul-UE. Disse ainda que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o argentino Javier Milei (La Libertad Avanza, direita) foram importantes nas negociações por causa da “forte liderança política”.

Lula foi o único chefe de Estado que não compareceu a cerimônia de assinatura do acordo em Assunção, no Paraguai, em 17 de janeiro. No dia anterior, encontrou-se separadamente com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o presidente do Conselho Europeu, António Costa.

“É normal que os 2 líderes, assim como von der Leyen, António Costa, e também o presidente Lula, se reúnam para celebrar a assinatura. Então, isso eu acho que é muito óbvio. O fato de gerirmos isso mostra que o acordo realmente traz benefícios para todos os países do Mercosul e para a União Europeia, independente de quem esteja liderando o país”, afirmou a embaixadora.

Assista a entrevista completa (20min8s):

IMPASSE AGRÍCOLA

No lado europeu, as discordâncias giraram em torno do setor agrícola. Enquanto a maioria dos estados-integrantes da União Europeia aprovaram o tratado, França, Polônia, Áustria, Irlanda e Hungria votaram contra.

Os países que rejeitaram o acordo afirmaram que o tratado representa ameaças à produção local. Consideram que o acordo cria condições de concorrência desfavoráveis com produtos sul-americanos de menor custo.

“Estou convencida de que o setor agrícola europeu verá os benefícios desse acordo ao longo do tempo. Vamos contribuir para isso. Tenho certeza de que, quando se trata de indicações geográficas e outras questões, esse acordo oferece enormes oportunidades para os setores agrícolas de ambas as regiões”, disse Schuegraf.

COMPROMISSOS AMBIENTAIS

Marian Schuegraf relembrou as preocupações ambientais em relação ao acordo. Condições que estão de acordo com o Acordo de Paris foram incorporadas ao acordo entre Mercosul e União Europeia.

“A questão da sustentabilidade permitirá que o acordo também promova uma espécie de liderança nessa área, por exemplo, em relação à agricultura sustentável. Vejo que o Brasil já está no caminho de liderar internacionalmente em agricultura sustentável”, declarou.

O acordo inclui instrumentos específicos no capítulo de TSD (Comércio e Desenvolvimento Sustentável), incluindo mecanismos de resolução de controvérsias e a possibilidade de consulta a especialistas independentes e organismos internacionais.

HISTÓRICO DA NEGOCIAÇÃO

O interesse formal da União Europeia por um acordo com o Mercosul surgiu em 1994 como estratégia para contrabalançar a influência da proposta norte-americana de uma área de livre comércio entre todos os países das Américas, com exceção de Cuba –proposta que não avançou. As tratativas comerciais começaram oficialmente em 1999.

A União Europeia aprovou o texto em 9 de janeiro deste ano. O bloco realizou a assinatura formal em 17 de janeiro e o Senado brasileiro ratificou o acordo de forma unânime em 4 de março.

“Finalmente, as estrelas se alinharam, e acredito que o acordo é bem-vindo por todos. Acho que valeu a pena o esforço”, afirmou a embaixadora europeia.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/acordo-ajudara-o-mercosul-a-se-integrar-diz-embaixadora-da-ue/

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