Fernando Cavendish é um dos 16 passageiros que estavam no avião; PF apura passagem de bagagens fora do raio-x
O empresário Fernando Cavendish, dono da empreiteira Delta e condenado pela Lava Jato do Rio de Janeiro, era um dos passageiros do voo que trouxe o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o senador Ciro Nogueira (PP-PI) da ilha de São Martinho, no Caribe. As informações são do jornalista Reynaldo Turollo Jr, da TV Globo.
Cavendish foi condenado em 2018 por participação em um esquema de corrupção que desviou R$ 370 milhões. Fechou acordo de delação premiada à época e disse ter pago propina para o ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral. O empresário se comprometeu a devolver o valor desviado.
Também participou do episódio que ficou conhecido como “farra dos guardanapos”, em 2009.
Estavam presentes no voo:
Hugo Motta (Republicanos-PB) – presidente da Câmara;
Luana Medeiros Motta – mulher de Hugo Motta;
Ciro Nogueira (PP-PI) – senador;
Isnaldo Bulhões (MDB-AL) – deputado federal;
Vauma Garrote Bulhões Barros – mulher de Isnaldo Bulhões;
Dr. Luizinho (PP-RJ) – deputado federal;
Sara Bragança da Custódia Teixeira – mulher de Dr. Luizinho;
Fernando Antônio Cavendish Soares – empresário e dono da Delta;
Luciana Branco Santana Cavendish – mulher de Fernando Cavendish;
Fernando Oliveira Lima – empresário conhecido como Fernandinho OIG;
Victor Linhares de Paiva – vereador de Teresina (PI);
José Nilson Ferreira Pinto – empresário;
Pamela de Souza Drudi – influenciadora e aparece na lista de indiciamentos requeridos pela CPI das Bets;
Lorena Furtado Alves de Oliveira – empresária;
Dayanni da Silva Delle Vianna;
Cristine Maria Camargo Cardoso.
FARRA DOS GUARDANAPOS
O episódio conhecido como “farra dos guardanapos” se deu em setembro de 2009, em Paris. Segundo o Ministério Público Federal, pode ter sido uma comemoração antecipada pela escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016. O MPF apurava a compra de votos no Comitê Olímpico Internacional.
O ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, recebeu uma homenagem em Paris. Fotos da celebração foram publicadas em 2012 pelo também ex-governador Anthony Garotinho. Mostram Cabral e outros envolvidos com guardanapos na cabeça. Também estavam nas fotos outros nomes ligados à operação Lava Jato.
Em uma das fotos, estão, além de Fernando Cavendish, os secretários da Saúde, Sérgio Cortes, e de Governo, Wilson Carlos, da gestão Cabral.
VOO INVESTIGADO
Fernando Cavendish era um dos 16 passageiros que estavam juntos de Motta e Nogueira no voo, em 20 de abril de 2025. A Polícia Federal passou a investigar o caso depois que o piloto do avião passou bagagens fora do raio-x durante desembarque no Aeroporto Executivo Internacional Catarina, em São Roque (SP).
O avião pertence ao empresário piauiense Fernando Oliveira Lima, conhecido como Fernandinho OIG. Ele é proprietário de empresas de apostas on-line que disponibilizam jogos como o Fortune Tiger, popularmente conhecido como “jogo do tigrinho”. O empresário foi alvo da Comissão Parlamentar de Inquérito das Bets.
A aeronave retornava da ilha caribenha de São Martinho, incluída desde 2016 pela Receita Federal do Brasil na lista de países com “tributação favorecida” –conhecidos como paraísos fiscais. Também estavam no avião os deputados federais Dr. Luizinho e Isnaldo Bulhões. Ambos líderes dos seus partidos na Câmara dos Deputados.
O avião pousou no aeroporto paulista por volta das 21h. O piloto José Jorge de Oliveira Júnior, comandante do voo, passou pelo detector de metais. Ele conversou com o auditor fiscal Marco Antônio Canella. Em seguida, retirou 2 bagagens inspecionadas pelo raio-X, contornou o pórtico de segurança e retornou à área restrita do desembarque.
Às 21h35, todas as bagagens até então haviam sido submetidas ao raio-X e todos os passageiros passaram pela detecção de metais. Entretanto, 5 minutos depois, às 21h40, o piloto voltou ao ponto de fiscalização com 5 volumes adicionais. Essas malas não foram inspecionadas pelo equipamento de raio-X e foram colocadas junto com as outras 2 malas inspecionadas anteriormente.
A PF apura suspeitas de facilitação de contrabando e prevaricação. Segundo o Ministério Público, o auditor fiscal Marco Antônio Canella, lotado no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), autorizou que o tripulante José Jorge de Oliveira Júnior desembarcasse com as bagagens e deixasse o aeroporto sem submetê-las aos equipamentos de raio-x.
O processo foi distribuído na 1ª Vara Federal de Sorocaba em outubro de 2025. Em 18 de março de 2026, a juíza Carolina Castro Costa determinou o envio ao STF. A petição ao STF foi protocolada em 13 de abril de 2026.
O ministro Alexandre de Moraes foi sorteado relator do caso. Em despacho de 6ª feira (24.abr.2026), determinou que a Procuradoria Geral da República se manifeste sobre o processo em até 5 dias. Leia a íntegra (PDF – 114 kB).
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/empresario-da-farra-dos-guardanapos-voou-com-ciro-e-motta/