PT fala em ser “antissistema” e quer colar Bolsonaro à velha política

Ao final do 3º mandato de Lula, no entanto, partido terá comandado o país por cerca de 17 anos e meio desde 2000

O PT ensaiou no 8º Congresso do partido, neste domingo (26.abr.2026), um reposicionamento ao reivindicar para si o campo “antissistema”, explorado por alas da direita nos últimos anos. O presidente da sigla, Edinho Silva, afirmou que o partido precisa voltar a se apresentar como alternativa ao modelo político atual e disputar esse espaço.

“A resposta do antissistema está na esquerda, não está na direita e não está no fascismo. A resposta ao antissistema está conosco. E o manifesto diz isso. E nós temos que sair a partir de amanhã dizendo que essa é a posição do PT”, disse no discurso de encerramento do 8º Congresso Nacional do PT, realizado no Brasil 21, em Brasília.

Segundo Edinho, o manifesto do PT aprovado no congresso reforça essa posição da sigla. O partido volta a questionar o funcionamento do sistema político, com defesa de reforma eleitoral e maior centralidade de programas partidários, além de propor mudanças no Judiciário, no sistema econômico e na relação entre Estado e mercado. Eis a íntegra (PDF – 172 kB). 

Durante o discurso, Edinho também defendeu que o partido retome a crítica estrutural ao sistema político e volte a organizar o debate em torno de projetos. 

“Nós queremos saber o que o PL pensa para o Brasil. Queremos saber o que os partidos que alimentam o fascismo pensam para o país para que a gente possa dizer qual é o projeto de Brasil que o PT defende”, declarou, mencionando a legenda do ex-presidente Jair Bolsonaro.

O uso do “antissistema” pelo PT faz parte de uma estratégia de reposicionamento adotada ao longo de 2026, diante do desgaste do Congresso e do Supremo com a opinião pública. O movimento também busca distanciar o partido de episódios recentes que expuseram tensões para Lula –como o caso envolvendo o Banco Master.

“Nós não podemos ser a favor de um sistema político que transforma a negociação entre Executivo e Legislativo em balcão de negócios e de negociatas. Esse modelo político não é o nosso”, disse o presidente da sigla.

Sérgio Lima/Poder360 – 26.abr.2026

Fernando Haddad e Edinho Silva (com o braço erguido) no encerramento do congresso do PT, em Brasília

Em fevereiro de 2026, Edinho já havia dito que quer posicionar a legenda como um “partido antissistema”.

Segundo ele, o desafio é “capturar esse sentimento de indignação, de mudança”. O presidente do PT afirmou que o governo de Lula é “o governo do antissistema”.

Dirigentes dizem que a ideia não é negar a experiência no poder, mas resgatar a origem do partido como força de contestação.

Ao final do 3º mandato de Lula, o PT terá comandado o país por cerca de 17 anos e meio desde 2000.

O PT foi fundado nos anos 1980 com discurso de ruptura institucional e defesa de reformas estruturais –bandeiras que, segundo líderes do PT, teriam sido diluídas ao longo do tempo em nome da governabilidade.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já havia afirmado que a esquerda “se tornou o sistema”. A declaração foi feita no Fórum em Defesa da Democracia, na Espanha. Segundo o presidente, parte desse campo perdeu coerência ao longo do tempo.

“Governos de esquerda ganham as eleições com o discurso de outros de esquerda e praticam austeridade. Abrem mão de políticas públicas em nome da governabilidade. Nós nos tornamos o sistema. Por isso, não surpreende agora que o outro lado se apresente como antissistema”, declarou Lula em discurso –que foi exibido no Congresso do PT para a militância. 

No mesmo evento, o candidato do PT para o governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), vinculou o “sistema” à família Bolsonaro.

“Só entregou o caos para esse país, desde sempre, porque eles se vendem como antissistema e estão há 30 anos fazendo a pior política da história do país. Das rachadinhas ao genocídio da pandemia, eles estão sempre do lado da destruição”, declarou. 

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-governo/pt-fala-em-ser-antissistema-e-colar-bolsonaro-a-velha-politica/

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