Taxa acelerou em março e atingiu o maior nível desde abril de 2025; preço do quilo da carne moída superou 10.000 pesos argentinos
A alta dos preços dos cortes de carne bovina tem levado argentinos a adotar outras proteínas animais na dieta. No sábado (18.abr.2026), o canal de televisão argentino La Nación+ veiculou reportagem na qual uma repórter experimenta carne de burro, vendida como alternativa mais barata de proteína. A venda do corte ocorre no momento em que a inflação anualizada de carnes e derivados na Argentina atingiu 55,1% em março –o maior nível desde abril de 2025.
A emissora entrevistou o produtor rural Julio Cittadin, que incentivou a venda da carne em alternativa à proteína animal bovina. Cittadini defendeu que a carne de burro é muito nutritiva, saborosa e de ótima qualidade.
Assista (a partir de 18m00s):
O Clarín, principal jornal argentino, também publicou sobre as “carnes alternativas” que se popularizaram com o encarecimento das proteínas de origem animal. Os argentinos também avaliam a carne de lhama como opção para a alta do preço da carne de boi.
Segundo o jornal, a carne de lhama possui um perfil nutricional com pouca gordura e alto teor de proteína. “De cor vermelho-escura e sabor suave, é produzida em sistemas extensivos de pastoreio natural, sem grãos ou suplementos”, disse o Clarín.
Alta de preços na Argentina
A inflação anualizada de carnes e derivados na Argentina varia de 33,1% na Patagônia a 61,5% no nordeste do país. O IPC (Índice de Preços ao Consumidor) teve alta de 32,6% no acumulado de 12 meses, entre março de 2025 e de 2026.
O preço do quilo da carne em março foi de $10.324 pesos na grande Buenos Aires, mas chegou a $12.528 pesos na Patagônia. Em reais, o preço do quilo na capital é de R$ 37,31. Eis a íntegra (PDF – 3 MB, em espanhol).
Segundo o site Noticias Ambientales, o consumo de carne de burro depende da aprovação do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar. A autorização é crucial para expandir a comercialização do produto a nível nacional.
Para o La Nacion, a carne de burro é uma alternativa “culinária” para a “crise na criação de ovelhas”. Ximena, que é dona de um açougue, afirmou ao canal de televisão que com o declínio na criação de ovelhas, por conta da baixa rentabilidade da lã e a seca, o projeto experimental de venda de carne de burro no seu comércio foi um “sucesso”.
“As áreas aqui não são como as de Buenos Aires. Este produtor, diante da escolha entre fechar a fazenda ou produzir outra coisa, optou por burros”, disse. A comerciante relatou que o estoque se esgotou em 3 dias.
Preço da carne bovina aumenta
O IPCVA (Instituto de Promoção da Carne Bovina) disse que os preços da carne bovina subiram 10,6% em março ante fevereiro, atingindo preço médio de $18.514 pesos. O levantamento analisa um total de 30.000 preços em diferentes pontos de venda em Buenos Aires, Rosário e Córdoba.
Assim, o aumento registrado em março foi mais que o dobro dos de janeiro e fevereiro, que foram de 4,8% e 4,9%, respectivamente. Em 12 meses, a alta foi de 68,6%.