País tem processo mais burocrático e manual que África do Sul, Chile e México, de acordo com dados da OCDE
O Brasil apresenta nível intermediário de automação do IR (Imposto de Renda), atrás de países emergentes como Chile, México e África do Sul. De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), quase 90% das administrações tributárias do mundo utilizam algum tipo de pré-preenchimento do IR. Em 75% dos países, o pagador de impostos não precisa alterar dados, só confirmar as informações.
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, em reunião ministerial com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na 3ª feira (31.mar.2026), propôs um sistema automático de declaração do IR. O modelo substituiria o preenchimento manual. Nesse formato, o pagador de impostos precisaria só validar os dados.
A proposta seria uma evolução do modelo já em vigor, a declaração pré-preenchida, que alcança cerca de 60% dos pagadores de impostos. O sistema ainda exige revisão de dados e inclusão manual de informações.
Entre os países do G20, o nível de automação do IR no Brasil é inferior ao de 7: Austrália, África do Sul, Coreia do Sul, França, Itália, México e Reino Unido.
Nesses países, o pagador de impostos recebe a declaração totalmente preenchida, com o imposto já calculado. Basta checar as informações e enviar.
As autoridades fiscais desses países contam com bases de dados integradas, maior digitalização de serviços públicos e capacidade de cruzamento de informações em tempo real. Quanto maior a integração, menor a necessidade de intervenção manual e menor o risco de erro.
Na América do Sul, o Chile é o país com maior nível de automação. As declarações costumam ser aceitas sem alterações pela maioria dos pagadores de impostos. O Uruguai segue modelo semelhante, com forte uso de dados já disponíveis ao governo. A automação brasileira é comparável à de Argentina, Colômbia e Peru.
Brasil é um dos piores entre os que têm nível médio
Segundo informações da OCDE, mesmo entre países com nível intermediário de automação, o Brasil fica atrás em eficiência e em burocracia.
Canadá e Alemanha contam com sistemas mais consolidados de envio automático. A declaração pré-preenchida reúne dados de empregadores, bancos e outras instituições. Mais informações já vêm prontas. No Japão, o sistema incorpora mais dados financeiros e praticamente guia o pagador de impostos.
Além disso, nesses países, erros na declaração pré-preenchida não são responsabilidade exclusiva de quem envia os dados. No Brasil, qualquer erro nas informações divulgadas pela Receita Federal é de responsabilidade do pagador de impostos.
Esta reportagem foi produzida pela trainee em jornalismo do Poder360 Camila Nascimento sob supervisão de Brunno Kono.