Guerra de EUA e Israel contra Irã completa 1 mês sem sinal de ter fim

Confronto já fez cerca de 37.000 mortos e feridos, reduziu o tráfego no estreito de Ormuz em 97% e ampliou riscos para energia e internet no mundo inteiro

A guerra entre EUA, Israel e Irã completa 1 mês neste sábado (28.mar.2026). O conflito já deixou mais de 3.000 mortos e teve efeitos que vão além do campo militar, com impacto no abastecimento global de petróleo e no aumento do preço da commodity, no tráfego marítimo internacional e em infraestrutura crítica no Oriente Médio.

Ao todo, o conflito soma cerca de 37.000 vítimas, entre mortos e feridos. A maior parte concentrada em território iraniano, alvo da maior intensidade de ataques desde o início da ofensiva. Em termos proporcionais, isso significa que quase 3 em cada 4 vítimas estão no Irã –o equivalente a 73% do total.

A ofensiva atingiu sobretudo áreas urbanas e infraestrutura civil, ampliando o impacto humanitário. Ele aparece na escala da destruição. Ao longo de 1 mês, cerca de 54.000 unidades civis foram atingidas, com destaque para estabelecimentos comerciais (6.800) e unidades de saúde (241).

Além das consequências humanitárias, o conflito passou a afetar cadeias estratégicas globais, especialmente no setor de energia. O tráfego pelo estreito de Ormuz, uma das principais rotas de escoamento de petróleo do mundo, caiu drasticamente.

O número de travessias pelo local reduziu de 4.140 em fevereiro para 125 em março –uma queda de 97%, ou 4.015 viagens a menos. A retração no fluxo afeta diretamente o abastecimento global de petróleo e amplia a incerteza nos mercados, ao reduzir a oferta disponível e ao pressionar os preços da commodity, o que eleva custos de transporte e produção, alimenta a inflação e pode desacelerar o crescimento econômico em países dependentes de importações de energia.

Esse cenário se reflete nos preços. Antes do conflito, o barril tipo Brent custava em torno de US$ 70. Na 6ª feira (27.mar.2026), foi negociado a US$ 110, depois de ter chegado a quase US$ 120 ao longo do mês. O impacto no preço foi causado principalmente pela decisão do Irã de restringir a passagem de navios petroleiros no estreito de Ormuz para aumentar a pressão internacional sobre os EUA e seus aliados.

A guerra também traz preocupações sobre a infraestrutura digital. Cabos submarinos de fibra óptica que cruzam o golfo Pérsico concentram rotas estratégicas do tráfego global de dados e podem ser danificados ou até interrompidos como instrumento de pressão, com impacto potencial sobre comunicações e serviços digitais em escala internacional.

No campo diplomático, os sinais seguem contraditórios. Enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump (Partido Republicano), afirma que o Irã estaria “implorando” para negociar, o governo iraniano nega qualquer diálogo. Washington anunciou uma pausa de 10 dias nas hostilidades e enviou um plano de paz a Teerã. Segundo autoridades iranianas, a proposta será avaliada, embora o país já tenha rejeitado categoricamente essa possibilidade.

Após um mês de confrontos, o cenário permanece indefinido. A continuidade da guerra pode aprofundar os impactos sobre energia, comércio e estabilidade global, em um momento de elevada tensão geopolítica. Pelo menos 16 autoridades iranianas foram mortas no conflito e o país persa não sinaliza grandes mudanças em seu posicionamento no conflito.

Eis a linha do tempo do conflito até aqui:

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/guerra-de-israel-e-eua-contra-o-ira-completa-1-mes/

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