Presidente e ministro da Fazenda fizeram críticas ao preço da gasolina e do diesel antes de assumir o governo
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), fizeram críticas públicas à alta dos combustíveis no Brasil em 2021 e 2022, quando estavam fora do governo federal. As declarações foram feitas durante o aumento do preço da gasolina e do diesel naquele período.
A alta estava ligada à valorização do petróleo no mercado internacional e à política de preços da Petrobras.
Durante a campanha presidencial de 2022, Lula responsabilizou o governo federal pela alta dos combustíveis e afirmou que o preço afetava diretamente consumidores e trabalhadores.
“Quem não pode mais cozinhar por causa do preço do gás, quem não pode sair de carro pelo preço da gasolina ou o caminhoneiro que sofre com o preço do diesel precisa entender que a responsabilidade é do presidente”, disse o então candidato em publicação no X.
Naquele período, Lula também criticou a política de preços da Petrobras baseada na paridade com o mercado internacional. Segundo ele, o Brasil não deveria seguir automaticamente as cotações externas do petróleo.
Reajustes em 2022
As declarações foram feitas em contexto de reajustes anunciados pela Petrobras em 2022. Em março daquele ano, a estatal elevou o preço da gasolina em 18,7% e o do diesel em 24,9%, depois da a valorização do petróleo no mercado internacional.
Haddad também criticou o preço da gasolina antes de assumir o Ministério da Fazenda. Em agosto de 2021, publicou uma mensagem nas redes sociais sobre a alta do combustível.
“Pelas minhas contas, só o preço da gasolina daria pra dois impeachments”, escreveu no X.
Na época, Haddad era ex-prefeito de São Paulo e comentava o aumento dos combustíveis durante o governo de Jair Bolsonaro (PL).
Debate voltou em 2026
O debate sobre o preço dos combustíveis voltou ao centro das discussões no governo Lula em 2026. Na 5ª feira (12.mar.2026) governo editou a Medida Provisória 1.340 de 2026, que criou um imposto de 12% sobre exportações de petróleo.
A medida foi defendida pelo Ministério da Fazenda como forma de capturar ganhos adicionais das petroleiras diante da alta global do petróleo e ajudar a conter o preço do diesel no país.
Haddad afirmou que a cobrança será temporária e poderá ser revista. “Nós entendemos que assim como o consumidor não pode ser prejudicado pela guerra, o produtor não pode ser favorecido pela guerra”, disse em entrevista a jornalistas ao anunciar a medida.
Grandes empresas do setor que atuam no Brasil, como Shell, TotalEnergies, PetroRio e Repsol, preparam ações judiciais contra o novo imposto. As companhias afirmam que a cobrança viola o princípio da anualidade tributária, segundo o qual novos tributos ou aumentos de impostos só podem ser cobrados no exercício financeiro seguinte.
A Petrobras não participa do grupo de empresas que pretende recorrer à Justiça e apoia a criação do imposto. A estatal segue a posição do governo federal, que defende a medida como parte da política para reduzir pressões sobre o preço dos combustíveis no país.