Reajuste passa a valer no sábado; anúncio vem 1 dia depois do governo zerar PIS/Cofins e criou subsídio para reduzir alta ao consumidor
A Petrobras informou nesta 6ª feira (13.mar.2026) que elevará em R$ 0,38 por litro o preço de venda do diesel A para as distribuidoras a partir de sábado (14.mar). Com o reajuste, o valor médio do combustível vendido pela estatal passará a R$ 3,65 por litro.
O diesel comercializado nos postos, porém, é o diesel B, que resulta da mistura obrigatória de 85% de diesel A e 15% de biodiesel. Por causa dessa composição, o aumento anunciado pela Petrobras corresponde a cerca de R$ 0,32 por litro no produto final vendido ao consumidor.
Segundo a companhia, sua participação média no preço do diesel B comercializado nos postos será de aproximadamente R$ 3,10 por litro após o reajuste. O último aumento havia ocorrido em 1º de fevereiro de 2025.
Mesmo com o reajuste anunciado agora, a estatal afirma que os preços do diesel A vendidos às distribuidoras acumulam queda de R$ 0,84 por litro desde dezembro de 2022, o equivalente a 29,6%, considerando a inflação do período.
GOVERNO TENTA REDUZIR
A empresa afirmou que o impacto para o consumidor tende a ser menor por causa de medidas anunciadas pelo governo federal para conter a alta dos combustíveis. Na 5ª feira (12.mar), o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) zerou as alíquotas de PIS/Cofins sobre o diesel, reduzindo a carga tributária federal sobre o combustível em R$ 0,32 por meio do decreto 12.875.
O impacto fiscal da redução de tributos é estimado em R$ 20 bilhões até o fim de 2026, valor correspondente à perda de arrecadação do governo federal.
Lula assinou também a MP (medida provisória) 1.340 de 2026, que cria uma subvenção de R$ 0,32 por litro de diesel para produtores e importadores. O custo é de R$ 10 bilhões para o Tesouro. O governo não detalhou como fiscalizará se o benefício chegará de fato às bombas, um problema histórico no setor.
Somadas, as duas medidas buscam reduzir em R$ 0,64 por litro o preço do diesel, com custo total de R$ 30 bilhões.
GOVERNO AFIRMA QUE NÃO INTERVIRÁ
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), afirmou na 5ª feira (11.mar.2026) que o Poder Executivo respeitará a independência da estatal e não intervirá nos preços dos combustíveis no Brasil para evitar altas ou quedas em um cenário de escalada de tensões no Oriente Médio.
Segundo ele, é natural que a empresa precise debater o reajuste de preços dada a instabilidade causada pela escalada dos conflitos no Oriente Médio e pela redução do tráfego de navios no estreito de Ormuz, por onde cerca de 20% do petróleo consumido no mundo passa.
“Não iremos fazer nenhuma intervenção numa empresa de capital aberto como a Petrobras. O governo tem participação majoritária nos conselhos, mas respeita a independência. É natural que haja conversas sobre reajuste neste momento”, disse em entrevista a jornalistas na sede do Ministério de Minas e Energia, em Brasília (DF).
Os preços do petróleo no mercado externo costumam impactar o valor dos combustíveis no Brasil. A Petrobras considera, entre outros fatores, as cotações internacionais do petróleo e a taxa de câmbio para definir os preços de venda de gasolina e diesel às distribuidoras.
A política de preços da estatal é um tema sensível para o governo federal porque os combustíveis têm peso relevante na inflação e, como consequência, na avaliação do governo.
Reajustes nos combustíveis podem influenciar indicadores como o IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), utilizado como referência para a meta de inflação do país.