Lula demora a montar palanques no Sudeste, fiel da balança em 2022

Presidente assegurou apoio no RJ com pré-candidatura de Eduardo Paes ao governo estadual; PT precisará lançar nomes em São Paulo e no Espírito Santo por falta de espaço, enquanto aguarda Rodrigo Pacheco em MG

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem tido dificuldade na montagem de palanques no Sudeste para as eleições de 2026. A região tem o maior colégio eleitoral do país, com 65.493.324 de eleitores aptos a votar, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral).

No pleito de 2022, o Sudeste foi decisivo para que o petista retornasse ao Planalto: a sigla teve 7,8 milhões de votos a mais ante 2018 no 2º turno, quando Fernando Haddad era o candidato. Até o momento, Lula assegurou um espaço no Rio de Janeiro, com Eduardo Paes (PSD), que é pré-candidato ao governo estadual. 

O PT precisará lançar candidaturas próprias pela inviabilidade de alianças em pelo menos 2 Estados: Espírito Santo e São Paulo.

O maior entrave é Minas Gerais pela resistência do senador Rodrigo Pacheco (PSD) em disputar o Palácio Tiradentes. O congressista terá de mudar de partido para contemplar Lula. O MDB e o União Brasil são duas opções de filiação.

Leia o infográfico:

Pacheco aguarda um posicionamento nacional dos partidos em torno da posição sobre candidato a presidente. A legenda escolhida precisa estar ao menos neutra na eleição nacional, liberando a tomada de decisão no cenário local.

Ao mesmo tempo, há uma orientação de Lula e do PT nacional para que os integrantes do partido em Minas esperem mais alguns dias por uma definição. Há uma expectativa de que os petistas tenham a prefeita de Contagem, Marília Campos, como candidata ao Senado.

Na 3ª feira (3.mar.2026), ao menos 16 diretórios estaduais do MDB entregaram ao presidente nacional da sigla, deputado Baleia Rossi (SP), um manifesto em que solicitam a “independência” do partido na eleição presidencial. O ato que simbolizou a entrega do documento foi na sala da sigla na Câmara.

A movimentação se antecipa a uma possibilidade de o partido ocupar a vice numa chapa encabeçada por Lula na disputa eleitoral em 2026. Presidente do MDB em Minas Gerais, o deputado federal Newton Cardoso Jr. é um dos signatários. Leia a íntegra (PDF – 143 kB) do documento.

SÃO PAULO

O PT paulista e Lula querem que Fernando Haddad seja candidato ao governo. Os 2 estão em São Paulo neste fim de semana e há possibilidade de uma conversa para uma definição. O ministro da Fazenda deixará o cargo, mas ainda não há uma data fechada para isso.

Em 2022, Haddad se candidatou ao governo paulista e teve o melhor desempenho da história do PT no Estado ao receber mais de 10,9 milhões de votos no 2º turno (44,73% dos votos válidos). Ele perdeu a disputa para Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Também há a chance de que as ministras Marina Silva (Meio Ambiente), da Rede, e a emedebista Simone Tebet (Planejamento) preencham as duas vagas no Senado em chapa encabeçada por Haddad. No MDB há 29 anos, Tebet terá de sair do partido se quiser ser candidata no Estado de São Paulo e o PSB é a principal opção neste momento.

O prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), é aliado de Tarcísio, o que inviabiliza eventual candidatura da ministra no Estado. Tebet deixará o governo até 30 de março e atribui seu futuro político a Lula.

ESPÍRITO SANTO

O deputado federal Helder Salomão (PT-ES) é pré-candidato ao governo estadual e terá uma conversa com Lula ainda em março para tratar do assunto. Tanto o congressista quanto o presidente do PT no Espírito Santo, deputado estadual João Coser, mencionam o encontro para consolidar a indicação.

“São prioridades do partido no Espírito Santo a reeleição do presidente Lula, do senador Fabiano Contarato, a eleição de Helder Salomão, bem como a composição de uma chapa de deputados federais e estaduais que façam a defesa do legado do presidente Lula e do PT”, declarou Coser ao Poder360.

Reeleito em 2022, o governador Renato Casagrande (PSB) é aliado de Lula e já anunciou que renunciará ao cargo até 4 de abril. A expectativa é que concorra ao Senado. Dessa forma, há espaço para compor a chapa liderada por Helder Salomão.

Casagrande deixará o Palácio Anchieta sob o comando do vice-governador, Ricardo Ferraço (MDB), que pretende concorrer ao governo capixaba e não tem interesse em abrir palanque para Lula. O emedebista é o presidente da sigla no Espírito Santo e assinou o manifesto que refuta apoio ao petista na eleição nacional. Daí a necessidade de o PT lançar candidatura própria por não haver espaço para aliança.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-eleicoes/lula-demora-a-montar-palanques-no-sudeste-fiel-da-balanca-em-2022/

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