2ª Turma do STF vai julgar decisão de Mendonça sobre prisão de Vorcaro

Colegiado analisará, em plenário virtual, se referenda decisão do ministro André Mendonça que autorizou 4 prisões preventivas

A 2ª Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) vai analisar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. O caso está relacionado às investigações da operação Compliance Zero, conduzida pela PF (Polícia Federal), que apura suspeitas de crimes financeiros, corrupção, lavagem de dinheiro e invasão de dispositivos informáticos.

A decisão de Mendonça foi tomada no âmbito da 3ª fase da operação, deflagrada na 4ª feira (4.mar.2026). Na determinação, o ministro afirmou que há indícios de atuação do empresário em uma estrutura investigada por intimidar adversários, além de risco de obstrução das investigações e ameaça à segurança de possíveis vítimas dos ilícitos apurados.

A decisão (eis a íntegra – 384 KB) será analisada em plenário virtual. A 2ª Turma é composta por André Mendonça, Gilmar Mendes, Nunes Marques, Luiz Fux e Dias Toffoli –que deixou a relatoria do caso em fevereiro depois de pedido de suspeição enviado pela PF.

Na decisão, Mendonça citou indícios de acesso indevido a sistemas da própria PF, do Ministério Público Federal e de organismos internacionais, como a Interpol. O ministro também apontou risco à integridade física e moral de cidadãos, jornalistas e autoridades. Além disso, mencionou possível prejuízo à recuperação de valores bilionários desviados dos cofres públicos.

O ministro determinou ainda o uso de tornozeleira eletrônica para outras 4 pessoas e suspendeu as atividades de 5 empresas ligadas aos investigados.

Ao final da decisão, Mendonça determinou a inclusão do processo na próxima sessão de julgamento virtual da 2ª Turma.

No procedimento de referendo, os ministros da 2ª Turma registram seus votos no sistema eletrônico do processo dentro de prazo previamente fixado. Não há debate oral nessa modalidade.

O QUE DIZ A DEFESA DE VORCARO

A defesa de Daniel Vorcaro afirmou que o empresário “sempre esteve à disposição das autoridades” e “colaborou de forma transparente com as investigações desde o início”. Em nota, os advogados negam “categoricamente as alegações atribuídas” a Vorcaro e dizem confiar que “o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta”, reiterando confiança “no devido processo legal e no funcionamento das instituições”.

Eis a íntegra da nota:

“A defesa de Daniel Vorcaro informa que o empresário sempre esteve à disposição das autoridades, colaborando de forma transparente com as investigações desde o início, e jamais tentou obstruir o trabalho das autoridades ou da Justiça.

“A defesa nega categoricamente as alegações atribuídas a Vorcaro e confia que o esclarecimento completo dos fatos demonstrará a regularidade de sua conduta.

“Reitera sua confiança no devido processo legal e no regular funcionamento das instituições.”

Até a publicação desta reportagem, os advogados de defesa dos outros alvos da operação não haviam se manifestado sobre os fatos imputados a eles pela Polícia Federal. O Poder360 atualizará a reportagem quando receber as manifestações.

Leia mais: 

CASO MASTER NO STF

O caso chegou ao Supremo por envolver autoridades com prerrogativa de foro: na operação Compliance Zero, que investiga o Master, foi encontrado pela Polícia Federal um envelope com o nome do deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA) em um endereço ligado a Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master. A relatoria do ministro foi marcada por rumores, críticas, decisões consideradas controversas e embates com a PF. Leia as principais:

29.nov.2025 – viajou de jatinho a Lima, Peru, para ver a final da Libertadores entre Palmeiras e Flamengo. O dono do avião é o empresário Luiz Osvaldo Pastore, que convidou também o ex-deputado e ex-ministro Aldo Rebelo e o advogado Augusto de Arruda Botelho, que defende Luiz Antonio Bull, diretor de Compliance do Banco Master e preso na operação Compliance Zero;
2.dez.2025 – decretou sigilo sobre o pedido da defesa do banqueiro Daniel Vorcaro para reconhecer a Justiça Federal como incompetente para lidar com o seu caso;
3.dez.2025 – determinou que todas as novas diligências da operação Compliance Zero contra o Master sejam previamente autorizadas pelo STF;
provas e peritos – determinou que as provas ficassem lacradas e acauteladas no STF, e não com a PF, e retirou da Polícia Federal o poder para periciar os materiais coletados sobre o caso do Banco Master. Também indicou 4 peritos de sua confiança para acessar os dados dos celulares de Daniel Vorcaro e as demais provas coletadas nas investigações relacionadas ao caso;
Resort Tayaya – um investidor ligado a Daniel Vorcaro foi acionista de 2021 a fevereiro de 2025 do resort Tayaya, que pertence à família do magistrado (inclusive a ele próprio). Toffoli diz nunca ter recebido dinheiro diretamente de Vorcaro e que todas as transações sobre o resort estão registradas na Receita Federal.

Essas e outras relações de Toffoli com o caso Master elevaram a pressão para que o ministro deixasse a relatoria.

A temperatura subiu quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, levou em 11 de fevereiro um relatório ao presidente do Supremo, Edson Fachin, que sugeria a declaração de suspeição de Dias Toffoli na relatoria do caso Master.

A decisão de Andrei, considerada ousada, uniu 8 dos 10 ministros da Corte em defesa do colega, como mostraram diálogos exclusivos da reunião publicados pelo Drive e pelo Poder360. Na ocasião, foi decidido que Toffoli deixaria a relatoria da investigação em busca de uma autopreservação da Corte. Com a saída do ministro, a relatoria foi redistribuída para André Mendonça.

ACAREAÇÃO

O Poder360 revelou em 29 de janeiro de 2026, com exclusividade, os depoimentos dos principais citados no caso Master.

A PF realizou uma acareação entre Paulo Henrique Costa, Daniel Vorcaro e o diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino, para esclarecer contradições dos depoimentos sobre a origem das carteiras de crédito negociadas entre o BRB e o Banco Master.

O procedimento foi conduzido pela delegada Janaina Pereira Lima Palazzo em 30 de dezembro de 2025 na sede do Supremo Tribunal Federal. Tudo foi gravado em vídeo e o Poder360 teve acesso.

São 32 reportagens, 8 vídeos com as íntegras dos depoimentos, 15 vídeos com cortes de trechos dos depoimentos e uma apuração extensa. Acesse todos os materiais aqui.

Leia outras reportagens sobre o Caso Master já publicadas pelo Poder360:

Depoimentos:

Eis o que disse Daniel Vorcaro:

📹 Assista à íntegra do depoimento de Vorcaro: parte 1, parte 2 e parte 3.Eis o que disse Paulo Henrique Costa:

📹 Assista à íntegra do depoimento de Aquino: parte 1 e parte 2.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-justica/2a-turma-do-stf-vai-julgar-decisao-de-mendonca-sobre-prisao-de-vorcaro/

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