Republicano afirma que Michael Wolff conspirou com empresário que se matou na cadeia para tentar prejudicá-lo
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), disse no sábado (31.jan.2026) que “provavelmente” vai processar o escritor norte-americano Michael Wolff por causa do caso Epstein. Ele deu a declaração a jornalistas durante uma entrevista aos profissionais da mídia a bordo do Air Force One.
Trump foi questionado sobre o que achou da última divulgação dos documentos relacionados ao caso do empresário Jeffrey Epstein (1953-2019) e se ele achava que seus críticos estavam satisfeitos. O republicano então criticou Wolff e afirmou que ele e Epstein estavam “conspirando” para tentar prejudicá-lo.
“Esse cara estava conspirando com Epstein para me prejudicar. Não vi, mas algumas pessoas muito importantes me disseram que não só me absolve, mas é o oposto do que as pessoas queriam, a esquerda radical. Wolff, um escritor de 3ª classe, estava conspirando com Jeffrey Epstein para me fazer mal, politicamente ou de outra forma. Isso ficou muito claro, então provavelmente vamos processar Wolff por isso”, afirmou Trump.
Entre os milhares de documentos do caso Epstein está um e-mail de 1ª de fevereiro de 2019 enviado pelo empresário para Michael Wolff. Na mensagem, que tem sido muito compartilhada por aliados do republicano nas redes sociais, o executivo diz ao escritor que Trump foi “muitas vezes” a sua casa, mas que “nunca ganhou uma massagem” –que pode ser interpretado como algum tipo de atividade sexual.
Wolff é o autor de “Fogo e fúria: por dentro da Casa Branca de Trump“, livro lançado em 2018 com bastidores do governo do republicano. Ele lançou em 2025 “All or Nothing: how Trump recaptured America” –ainda sem tradução para o português.
Assista ao vídeo com a fala de Trump (51s):
ARQUIVOS DO CASO EPSTEIN
As páginas que foram reveladas nesta semana são mais uma parte do que o governo dos EUA tem sobre Epstein. Donald Trump sancionou em 19 de novembro de 2025 um projeto de lei que havia sido aprovado pelo Congresso para obrigar o Departamento de Justiça a divulgar todas as informações da investigação sobre o empresário.
Estão nos arquivos e-mails enviados e recebidos pelo financista, conversas com aliados, sócios e lobistas e análises econômicas, além de manuscritos de livros, artigos de notícias e até poesias que eram enviadas a ele.
QUEM FOI JEFFREY EPSTEIN
Jeffrey Edward Epstein nasceu em 20 de janeiro de 1953, em Nova York (EUA). Foi preso após ser condenado por abuso de uma menina de 14 anos, além de ser acusado de vários crimes sexuais. Em 10 de agosto de 2019, foi encontrado morto em sua cela na prisão em Nova York. Ele estava ajoelhado com um lençol amarrado no pescoço e preso numa cama beliche. A causa oficial da morte foi suicídio por enforcamento.
Epstein formou-se antes do previsto na Lafayette High School, no Brooklyn, em 1969. Estudou até 1971 na faculdade Cooper Union, em NY, ano em que se transferiu para o Instituto Courant de Ciências Matemáticas da NYU (Universidade de Nova York), onde estudou por 3 anos, mas não se formou.
De acordo com a enciclopédia Britannica, mesmo sem um diploma, Epstein deu aulas de física e matemática, de 1974 a 1976, em uma escola particular, a Dalton School, em Manhattan.
Epstein iniciou sua carreira no mercado financeiro logo depois de deixar o cargo de professor. Entrou no banco de investimentos Bear Stearns, onde trabalhou por 4 anos. Em 1981, criou seu próprio fundo financeiro para gerir patrimônios bilionários. Seu 1º cliente foi Les Wexner, dono da Victoria’s Secret.
O bilionário frequentava e promovia festas com personalidades e políticos norte-americanos. Entre os convidados dos eventos realizados na ilha particular de Epstein, Little St. James (nas Ilhas Virgens Americanas, no Caribe), estavam personalidades como Bill Clinton, Donald Trump, o príncipe Andrew e Bill Gates. Era comum que Epstein emprestasse seu jato particular para levar os convidados até a ilha.