Senadora respondeu com lista de instituições e líderes religiosos após pastor questionar declarações feitas ao “SBT News”
O pastor Silas Malafaia contestou, nesta 4ª feira (14.jan.2026), a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) por declarações da congressista sobre o envolvimento de entidades religiosas com os desvios de aposentadorias e pensões. Em resposta, a senadora divulgou uma lista de igrejas e líderes evangélicos mencionados em requerimentos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) do INSS.
“A acusação foi leviana e denigre de maneira geral a Igreja Evangélica”, declarou Malafaia em postagem. Em seu perfil oficial no X, o pastor reproduziu declarações da senadora sobre o tema e exigiu a divulgação dos nomes específicos das instituições e líderes supostamente envolvidos nas irregularidades.
O líder evangélico criticou diretamente a falta de identificação das entidades religiosas mencionadas pela senadora. “Como é que é? Uma questão gravíssima dessa, uma acusação desse nível e a senhora não dá os nomes dos grandes líderes evangélicos e das grandes igrejas que estão envolvidas na falcatrua da roubalheira dos aposentados do INSS?”, questionou.
Malafaia exigiu provas concretas. “Ou a senhora dá os nomes ou a senhora é uma leviana de língua afiada. A acusação é grave e séria. Dê o nome também dos líderes que pediram para a senhora calar a boca”, afirmou.
O pastor encerrou o vídeo com críticas à postura de Damares. “Isso é uma vergonha. Isso é um absurdo. A liderança evangélica está indignada com a sua postura covarde e vergonhosa. Tô esperando os nomes”.
As declarações de Damares haviam sido feitas em entrevista ao SBT News no domingo (11.jan). Ela mencionou a participação de “grandes igrejas” e “líderes renomados” em supostos esquemas fraudulentos contra aposentados.
Assista ao vídeo (3m19s):
DAMARES RESPONDE
Em resposta ao pastor, Damares publicou uma relação de instituições religiosas e pastores que tiveram pedidos de convocação ou quebra de sigilo aprovados pela CPMI do INSS. Na nota, a senadora esclareceu que foi a autora do pedido que originou a comissão, instalada em 2025, e que atua como integrante titular desde o início dos trabalhos.
“As informações mencionadas são públicas e constam em requerimentos apresentados e aprovados pela comissão, amplamente divulgados e acessíveis à sociedade”, declarou.
Entre as instituições listadas que tiveram pedidos de quebra de sigilo aprovados estão a Adoração Church, a Igreja Assembleia de Deus Ministério do Renovo, o Ministério Deus é Fiel Church (SeteChurch) e a Igreja Evangélica Campo de Anatote.
A lista também inclui requerimentos para convocação ou convite de líderes religiosos como André Machado Valadão, César Bellucci do Nascimento, Péricles Albino Gonçalves, Fabiano Campos Zettel e André Fernandes. A comissão aprovou pedidos específicos de quebra de sigilo envolvendo Valadão.
Damares afirmou que todos os requerimentos apresentados têm base em indícios concretos identificados em documentos oficiais, como RIFs (Relatórios de Inteligência Financeira) e informações da Receita Federal.
A CPMI do INSS investiga um esquema nacional de descontos e empréstimos consignados irregulares aplicados contra aposentados e pensionistas em todo o país. A comissão já analisou milhares de documentos e solicitou a suspensão de contratos considerados suspeitos.
Em sua nota, a senadora reconheceu que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas fraudulentos lhe causa “profundo desconforto e tristeza”. Enfatizou que a comissão tem o dever constitucional de investigar os fatos “com responsabilidade, imparcialidade e base documental”.
A reação de Malafaia surgiu depois que Damares mencionou, além do envolvimento de entidades religiosas, a existência de pressões para que as investigações não avançassem nessa direção.
O prazo para conclusão dos trabalhos da CPMI está previsto para março de 2026, com possibilidade de prorrogação caso seja necessário para a conclusão das investigações em andamento.
Depois da publicação da nota de Damares, Malafaia voltou a se manifestar nas redes sociais. O pastor criticou a senadora por contradição, argumentando que a lista divulgada inclui apenas um líder de maior projeção nacional, cujo nome já havia sido mencionado anteriormente pela imprensa, e igrejas que não se enquadram como grandes denominações.
Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-congresso/malafaia-e-damares-trocam-farpas-sobre-igrejas-na-cpi/