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Elevar produção de petróleo da Venezuela em 50% vai custar US$ 10 bi

Plano deve demorar pelo menos 2 anos e projeta retorno de companhias dos EUA à Venezuela; preço baixo do barril e risco político podem limitar investimento

O presidente dos EUA (Estados Unidos), Donald Trump (Partido Republicano), declarou que deseja abrir as reservas de petróleo da Venezuela para grandes empresas norte-americanas, com a promessa de reconstruir a infraestrutura do país e elevar a produção. 

Estimativas mostram que o aumento da produção em meio milhão de barris por dia exigiria investimentos de, pelo menos, US$ 10 bilhões e levaria até 2 anos.

A consultoria Wood Mackenzie projetou que seriam necessários cerca de US$ 15 bilhões a US$ 20 bilhões em uma década para adicionar 500 mil barris por dia de produção na região principal de Orinoco, na Venezuela. A Rystad Energy estimou que levar a produção para níveis muito mais altos –2 milhões de barris por dia– exigiria aproximadamente US$ 110 bilhões de investimentos.

Em anúncio feito no sábado (3.jan.2026), Trump afirmou que companhias dos EUA investiriam bilhões de dólares para recuperar campos e oleodutos venezuelanos.  Segundo ele, parte dos ganhos seria usada como compensação financeira aos EUA.

Hoje, a Chevron é a única grande petroleira dos EUA que atua no país e responde por cerca de ⅓ da produção local, estimada em 900 mil barris por dia. Outras empresas vão avaliar com cautela a segurança jurídica e econômica, já que a Venezuela tem histórico de nacionalizações e disputas judiciais com grupos estrangeiros.

RISCO POLÍTICO

Além do risco político, o mercado internacional de petróleo não demonstra forte apetite por aumento de oferta. O barril nos EUA segue abaixo de US$ 60, valor que desestimula novos projetos. Investidores podem preferir regiões como o Permian Basin, nos EUA, em vez de assumir custos e incertezas na Venezuela.

A aposta no petróleo pesado venezuelano reflete a necessidade de refinarias que conseguem extrair mais margem desse tipo de óleo. O país declara possuir mais de 300 bilhões de barris em reservas provadas. Para atrair capital externo, porém, será preciso redesenhar leis locais, renegociar dívidas e estabilizar a economia.

Trump reforçou que o petróleo venezuelano serviria como instrumento estratégico para os EUA. O presidente norte-americano já defendeu publicamente que países vencedores em conflitos deveriam ter direito a explorar recursos naturais como forma de compensação.

O ATAQUE

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump (Partido Republicano), anunciou no sábado (3.jan.2026), em seu perfil na rede Truth Social, que o país realizou uma operação militar contra a Venezuela e capturou o presidente Nicolás Maduro (PSUV, esquerda) e a primeira-dama Cilia Flores.

O general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas, afirmou que Trump ordenou a captura de Maduro na noite da 6ª feira (2.jan.2026). A operação foi realizada na madrugada de sábado (3.jan). Houve também ataques a 4 alvos no país com 150 caças e bombardeios, que decolaram de diferentes pontos e neutralizaram sistemas de defesa aérea venezuelanos.

Helicópteros militares dos EUA transportaram tropas para Caracas, capital venezuelana para capturar Maduro. A missão durou cerca de duas horas e 20 minutos.

Há questionamentos quanto ao fato de os EUA fazerem uma operação militar em outro país sem aprovação do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas). Trump diz que isso é desnecessário.

Mas também há dúvidas sobre o descumprimento de leis dos EUA. A operação deveria ter sido previamente aprovada pelo Congresso dos EUA. O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que não foi possível comunicar os congressistas com antecedência.

É incerto se houve mortos e feridos na ação. Até a publicação desta reportagem, autoridades venezuelanas não haviam divulgado números, mas afirmaram que civis morreram durante a operação.

Um oficial norte-americano disse que não houve baixas entre militares dos EUA. Não falou sobre eventuais mortes venezuelanas.

COMANDO DO PAÍS

No início da tarde de sábado (3.jan.2026), Trump afirmou a jornalistas que os Estados Unidos assumiriam temporariamente a administração do país até que uma transição política fosse definida. Não detalhou como isso seria feito, concentrando-se em declarações sobre a exploração e a venda do petróleo venezuelano.

Pela Constituição venezuelana, o poder deveria ser exercido pela vice-presidente, Delcy Rodríguez. Trump disse que Rubio conversou com Rodríguez e que ela manifestou disposição para cooperar com ações lideradas pelos EUA.

Sobre a líder oposicionista María Corina Machado, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2025, Trump declarou que ela não teria apoio político suficiente para governar a Venezuela.

Em pronunciamento ao vivo no fim da tarde de sábado (3.jan), Rodríguez contestou as declarações de Trump, classificou a ação dos EUA como violação da soberania venezuelana e afirmou que Maduro continua sendo o presidente legítimo do país.

A vice também declarou que a Venezuela está aberta a uma relação respeitosa com o governo Trump, desde que baseada no direito internacional. “Esse é o único tipo de relação possível. Não seremos colônia de nenhum outro país”, disse.

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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-energia/elevar-producao-de-petroleo-da-venezuela-em-50-vai-custar-us-10-bi/

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