Há notificações em 6 Estados; São Paulo concentra mais de 90% dos registros; Ministério da Saúde conformou até agora apenas 11 contaminações pela substância
O Ministério da Saúde informou nesta 6ª feira (3.out.2025) que o país registra 113 casos suspeitos de intoxicação por metanol desde agosto, sendo 11 confirmados em São Paulo e outros 102 em investigação em outros Estados.
Bahia, Paraná e Mato Grosso do Sul têm notificações de casos sob investigação. As suspeitas que precisam de um laudo para serem confirmadas– estão divididas da seguinte forma:
São Paulo – 90 casos;
Pernambuco – 6 casos;
Bahia – 2 casos;
Distrito Federal – 2 casos;
Paraná – 1 caso;
Mato Grosso do Sul – 1 caso.
Às 17h16, a Secretaria de Saúde de São Paulo notificou outro caso sob investigação, elevando para 91 o total de registros no Estado.
Segundo o ministério, há por ora uma morte confirmada em São Paulo. Outras 11 mortes estão em análise, distribuídas da seguinte forma:
8 na cidade de São Paulo;
1 em Pernambuco;
1 na Bahia;
1 em Mato Grosso do Sul.
O Ministério da Saúde disse nesta 6ª feira (3.out) que passará a atualizar, a partir das 17h, os dados sobre intoxicações por metanol relacionadas ao consumo de bebidas alcoólicas. As informações serão divulgadas após a consolidação das notificações enviadas pelos CIEVS (Centros de Informações Estratégicas e Resposta em Vigilância em Saúde) estaduais e nacional.
Casos em Brasília
A SES-DF (Secretaria de Saúde do Distrito Federal) confirmou nesta 6ª feira (3.out) o 2° caso de intoxicação por metanol em Brasília. O homem, de 47 anos, deu entrada na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) de Brazlândia e depois foi transferido para o Hospital Regional de Santa Maria.
O 1° caso do DF foi o do cantor Hungria, de 34 anos, internado no hospital DF Star desde 5ª feira (2.out) com sintomas de intoxicação por metanol. Em comunicado divulgado no Instagram, a equipe do artista informou que ele apresentou sinais depois da ingestão de bebida que teria sido adulterada, em situação semelhante aos casos registrados recentemente em São Paulo. Leia a íntegra do boletim (PDF – 121 kB).
O que é metanol?
O metanol, também conhecido como álcool metílico (CH₃OH), é uma substância química altamente tóxica, volátil e inflamável. Trata-se de um álcool simples, incolor, de odor semelhante ao da bebida alcoólica comum. No passado, era chamado de “álcool da madeira” por ser obtido da destilação de toras. Hoje, é produzido em escala industrial, sobretudo a partir do gás natural.
O líquido é usado como matéria-prima para a produção de formaldeído, ácido acético, resinas, solventes e tintas. Também está presente em anticongelantes, limpa-vidros e removedores de tinta. No Brasil, uma das principais aplicações é na produção de biodiesel, por meio da transesterificação.
Dosagem letal
A ingestão de 4 ml a 10 ml de metanol pode causar danos irreversíveis, como a cegueira, segundo o CFQ (Conselho Federal de Química). O conselho alerta que pequenas doses já representam uma ameaça real à vida. Estima que 30 ml de metanol puro podem ser letais.
Efeitos no organismo
O perigo maior da ingestão de metanol aparece nos efeitos tardios, afirma o Conselho Federal de Química. O metanol é metabolizado no organismo em formaldeído e ácido fórmico, este último responsável por causar acidose metabólica — um grave desequilíbrio do pH sanguíneo. Os sintomas incluem:
respiração acelerada;
aumento da frequência cardíaca;
dor abdominal persistente;
danos à visão, que podem evoluir para cegueira irreversível.
Diagnóstico e tratamento
De acordo com a Abno (Associação Brasileira de Neuro-oftalmologia), o diagnóstico deve ser feito a partir da história clínica do paciente e por exames de sangue e de imagem.
Em caso de suspeita de ingestão ou contato prolongado com metanol, não induza o vômito e encaminhe a pessoa com urgência para o hospital. Quanto mais cedo forem realizados o diagnóstico e o tratamento, menor é o risco de morte ou de sequelas graves.
O tratamento é feito com medicamentos intravenosos (fomepizol) que, assim como o etanol, podem inibir o metabolismo do metanol, evitando a formação do ácido fórmico, causador das sequelas mais graves. O paciente pode ser submetido à lavagem gástrica e hemodiálise.
O risco da adulteração
Segundo o Conselho Federal de Química, o problema surge quando o metanol é usado de forma criminosa na adulteração de bebidas alcoólicas.
A ingestão, inalação ou contato prolongado com o metanol pode provocar sintomas imediatos, como náusea, tontura, vômito e depressão do sistema nervoso central.
Prevenção e controle
Para evitar intoxicações, recomenda-se:
verificar a procedência das bebidas compradas;
desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
não consumir produtos sem registro oficial.
A fiscalização rigorosa de órgãos governamentais e as análises laboratoriais periódicas feitas por profissionais da química são essenciais para prevenir tragédias. Eles têm o papel de identificar contaminantes, garantir a qualidade dos produtos e conscientizar a população sobre os riscos do consumo de bebidas adulteradas.
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Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-saude/brasil-tem-113-casos-suspeitos-de-intoxicacao-por-metanol/