Dado é de pesquisa encomendada pelo Movimento Pessoas à Frente; 72% dizem que profissionalização evita corrupção e 83% querem fim dos supersalários
Pesquisa Datafolha encomendada pelo Movimento Pessoas à Frente e divulgada nesta 5ª feira (28.ago.2025) mostra que 94% dos brasileiros defendem totalmente ou em parte que os funcionários públicos do Brasil sejam avaliados regularmente para que possam ser recompensados ou responsabilizados de acordo com seu desempenho.
Hoje, o processo para punir empregados que tenham cometido algum erro ou não tenham se adequado ao trabalho na administração pública é altamente burocrático. Congressistas de centro e direita defendem um projeto de reforma administrativa para mudar essa e outras normas, visando a deixar o funcionalismo mais dinâmico e eficiente.
A medida é discutida há anos. Tem o apoio do presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), para avançar, mas há resistência em alguns grupos de esquerda. Motta marcou para 3 de setembro a realização de uma comissão para debater o tema.
O estudo mostra ainda que 72% concordam que a profissionalização do serviço público (com progressão profissional e oportunidades de desenvolvimento, por exemplo) contribui para o combate à corrupção e qualidade das atividades prestadas.
“A pesquisa evidencia a percepção da população sobre a importância de aprimorar a gestão de pessoas no serviço público. A população apoia medidas que visam a modernizar a administração pública”, diz Jessika Moreira, diretora-executiva do Movimento Pessoas à Frente.
Segundo ela, é necessário que os funcionários públicos sejam mais bem treinados e que o Estado assegure locais de trabalho com estruturas adequadas para exercer cada função. “Não basta só ter bons profissionais”, declara.
Os dados citados nesta reportagem fazem parte do estudo “Opinião dos brasileiros sobre a Gestão de Pessoas e Lideranças no Setor Público”, que está na 3ª edição. Foram ouvidas 2.008 pessoas de todas as regiões do Brasil de 9 a 12 de junho de 2025.
Ainda segundo a pesquisa, para 75%, a estabilidade no emprego é importante para a proteção de funcionários públicos contra eventuais pressões ou perseguições. Essa opinião é mantida por parte dos entrevistados que defendem também uma responsabilização mais efetiva dos empregados do Estado.
Outro ponto abordado pelo estudo são os supersalários: 83% são a favor de uma barreira para que nenhum funcionário público receba mais que o teto constitucional, hoje de R$ 46.366,19.
O problema dos supersalários é mais comumente observado no Judiciário. Reportagem do Poder360 mostrou em fevereiro que juízes de tribunais estaduais, federais, eleitorais, do trabalho e de conselhos ganharam salários brutos mensais acima de R$ 100 mil pelo menos 63.816 vezes em 2024.
Esses montantes foram pagos porque, além dos salários, alguns funcionários deste Poder recebem indenizações, direitos eventuais e auxílios diversos. Esses chamados penduricalhos permitiram no ano passado que as remunerações mensais chegassem a valores de mais de R$ 1 milhão em 28 casos.
Para a diretora Jessika Moreira, o Congresso tem de aproveitar a “oportunidade” que se criou junto à opinião pública para dar uma “resposta concreta” à população sobre a questão dos supersalários.
“As pesquisas vem evidenciando que a população é contra servidores que recebem acima do teto constitucional e a favor de uma regulamentação que trate desse tema. […] É o momento do Parlamento, junto com o governo, dar uma resposta concreta a esse problema que o Brasil enfrenta e que só em 2023 custou R$ 11 bilhões aos cofres públicos”, diz.