58 países terão eleições em 2026

Cerca de 30% dos países reconhecidos pela ONU terão eleições neste ano; 21 deles decidirão o próximo presidente em 2026

Cidadãos de países de todos os continentes irão às urnas ao longo de 2026. Ao todo, 58 países, incluindo o Brasil, terão eleições. O calendário inclui disputas presidenciais e legislativas em grandes democracias e em países marcados por conflitos armados, transições institucionais e regimes sob forte contestação interna e externa.

As votações serão em um cenário internacional de elevada tensão geopolítica, com guerras em curso, desaceleração econômica em parte do mundo e crescimento de forças nacionalistas e populistas. O resultado desses pleitos deve influenciar agendas domésticas e também o equilíbrio de poder regional e global, com impactos sobre comércio, segurança e política externa.

Eis os números:

Presidência – 9;
Presidência e Legislativo – 11;
Presidência e primeiro-ministro – 1;
Legislativo e primeiro-ministro – 24;
Legislativo – 13.

Eis a lista completa de eleições pelo mundo em 2026:

BRASIL: POLARIZAÇÃO E INCERTEZA

O Brasil terá eleições presidenciais e legislativas em outubro de 2026 em um cenário ainda marcado pela polarização política e por debates sobre estabilidade institucional. O pleito se dá depois de uma sequência de embates entre os Poderes e de disputas narrativas sobre democracia, economia e o papel do Estado, além de pressões fiscais e discussões sobre política social.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) não concorrerá à Presidência. Foi sentenciado a mais de 27 anos de prisão pelo STF (Supremo Tribunal Federal) por tentativa de golpe de Estado depois da derrota nas eleições de 2022. Bolsonaro foi preso preventivamente em 22 novembro de 2025 por ordem do ministro Alexandre de Moraes, depois de tentar romper sua tornozeleira eletrônica com um ferro de solda.

A expectativa é de que o bolsonarismo tenha um representante na disputa. Um dos nomes cogitados é o do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho do ex-mandatário. A direita chega fragmentada, enquanto a esquerda aposta no presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 80 anos, para uma possível reeleição e um 4º mandato.

EUA: MIDTERMS TESTAM FORÇA DE TRUMP

Os EUA realizam em novembro as eleições legislativas de meio de mandato –conhecidas como midterms– que renovarão a Câmara dos Representantes e parte do Senado. Tradicionalmente, o partido do presidente tende a perder cadeiras nesse tipo de eleição, o que pode alterar o equilíbrio de forças no Congresso e afetar a agenda do Executivo nos 2 últimos anos do mandato do atual chefe da Casa Branca, Donald Trump (Partido Republicano).

Trump chega às midterms em um contexto de polarização interna e pressão econômica. Medidas protecionistas adotadas por seu governo, como a ampliação de tarifas comerciais, têm alimentado debates sobre inflação e custo de vida, enquanto a política migratória segue no centro da política doméstica, com endurecimento do controle nas fronteiras e embates com Estados governados pela oposição.

A campanha deve ser marcada por disputas sobre economia, imigração e política externa, além de embates em torno do funcionamento das instituições democráticas. O resultado costuma influenciar a corrida presidencial seguinte.

ISRAEL: GUERRA EM GAZA E NETANYAHU FRAGILIZADO

Israel irá às urnas para eleger os 120 parlamentares do Knesset, em um momento de desgaste do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu (Likud, direita). Sua coalizão enfrenta divisões internas, especialmente em torno da condução do cessar-fogo na Faixa de Gaza, o que aumentou a instabilidade política e elevou a pressão por uma reconfiguração do governo diante de divergências entre aliados de linha dura, partidos religiosos e setores que defendem uma saída negociada para o conflito.

Além do conflito regional, o pleito deve refletir disputas sobre reformas institucionais, relação entre Executivo e Judiciário e o papel dos partidos religiosos na formação de maiorias parlamentares. A fragmentação do sistema partidário amplia a incerteza sobre a governabilidade após a eleição.

SUDÃO DO SUL: 1º PLEITO NACIONAL EFETIVO DESDE A INDEPENDÊNCIA

O Sudão do Sul realizará eleições presidenciais e legislativas consideradas históricas. Independente desde 2011, após décadas de guerra civil contra o Sudão, o país ainda enfrenta desafios institucionais e de segurança. O pleito é visto como uma etapa decisiva para consolidar o processo político e reduzir o risco de novos conflitos internos.

A votação ocorre após sucessivos adiamentos e em um ambiente de fragilidade administrativa. Observadores internacionais acompanham o processo com atenção, diante de preocupações sobre logística, participação popular e aceitação dos resultados pelos principais grupos políticos.

PORTUGAL: ABRE O CALENDÁRIO ELEITORAL EUROPEU

Portugal será o 1º país europeu com eleições em 2026. Decidirão o presidente em 18 de janeiro. O pleito se dá em um contexto de debates sobre estabilidade política, crescimento econômico e papel do país na UE (União Europeia), além de reflexos da fragmentação partidária e crescente polarização sobre o tema da imigração.

Embora a Presidência tenha funções sobretudo institucionais, o resultado pode influenciar o equilíbrio político interno e a relação entre os Poderes.

NEPAL E BANGLADESH: PROTESTOS DA GEN Z

Ambos os pleitos serão depois de recentes ondas de protestos liderados por jovens da geração Z. As mobilizações pressionaram governos por reformas políticas, combate à corrupção e melhores perspectivas econômicas.

As eleições legislativas nesses países são vistas como um teste sobre a capacidade do sistema político de absorver demandas de renovação e participação. A expectativa é que o desempenho de partidos tradicionais e de novas forças políticas reflita o impacto dessas mobilizações sobre o eleitorado mais jovem.

OUTRAS ELEIÇÕES

Além dos pleitos de maior repercussão, o calendário de 2026 inclui votações em países que atravessam processos de instabilidade política, disputas institucionais ou reorganização do poder. Na Ásia, Mianmar realiza eleições em janeiro sob um regime militar que enfrenta resistência interna desde o golpe de 2021, enquanto Tailândia, Vietnã e Laos votam em contextos de controle político mais rígido ou após protestos sociais.

No Oriente Médio, Líbano, Bahrein e Iraque também estão no calendário, em meio a crises econômicas, fragmentação política e disputas regionais.

Na África, diversos países vão às urnas em cenários sensíveis. Uganda, Congo, Zâmbia, África do Sul, Gâmbia e Camarões realizam eleições em contextos marcados por pressões econômicas, questionamentos sobre processos eleitorais e disputas por sucessão política.

Na Europa, além de Portugal, estão previstos pleitos em países do Leste e dos Bálcãs, como Hungria, República Tcheca, Bulgária, Moldávia e Bósnia e Herzegovina, onde temas como imigração, relação com a UE e avanço de forças nacionalistas devem pesar.

Já na Oceania, Austrália, Fiji, Nova Zelândia e outros territórios insulares também integram o calendário.

Fonte: https://www.poder360.com.br/poder-internacional/58-paises-terao-eleicoes-em-2026/

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