Levantamento da AtlasIntel mostra que 28,3% afirmam que aliados de Bolsonaro têm mais envolvimento; 12,9% conectam caso ao Centrão
Levantamento da AtlasIntel divulgado na 4ª feira (25.mar.2026) mostra que 39,5% dos entrevistados disseram que aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) são os mais envolvidos no caso do Banco Master. Já 28,3% acreditam que os aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) têm um envolvimento maior com o banco fundado por Daniel Vorcaro. Leia a íntegra do estudo (PDF – 4 MB).
No momento, Vorcaro está preso em Brasília (DF) e em processo de fazer uma delação premiada. Em acordo de colaboração, ele deverá responder sobre suas relações com autoridades do Judiciário, do meio político e do setor regulatório.
A AtlasIntel perguntou o seguinte: “Na sua percepção, qual grupo político está mais envolvido no esquema de fraudes financeiras do Banco Master?”. Eis como os entrevistados responderam:
Principalmente os aliados de Lula – 39,5%;
Principalmente os aliados de Bolsonaro – 28,3%;
Todos estão igualmente implicados no esquema – 14,6%;
Principalmente o Centrão – 12,9%;
Não sabe – 4,7%.
A AtlasIntel também fez a seguinte pergunta: “Você tem acompanhado as investigações e as informações divulgadas sobre o esquema de fraudes financeiras no Banco Master?”. Eis como os entrevistados responderam:
Tenho acompanhado de perto – 72,4%;
Tenho acompanhado por alto – 24,6%;
Apenas ouvi falar – 2,8%;
Não sabe nada sobre o assunto – 0,3%.
A pesquisa foi realizada pela AtlasIntel Bloomberg de 18 a 23 de março de 2026. Foram entrevistados 5.028 eleitores do Brasil. O intervalo de confiança é de 95%. A margem de erro é de 1 ponto percentual, para mais ou para menos. O levantamento está registrado no TSE sob o nº BR-04227/2026. Segundo a empresa, o estudo custou R$ 75.000 e foi pago com recursos próprios.
CASO BANCO MASTER
LIQUIDAÇÃO PELO BANCO CENTRAL
As atenções se voltaram ao Banco Master depois que o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial da instituição em 18 de novembro por suspeitas de fraude. O rombo deixado pelo Master ao Fundo Garantidor de Créditos foi calculado em cerca de R$ 50 bilhões, a maior quebra da história do setor.
No mesmo dia, a operação Compliance Zero, da Polícia Federal, prendeu o fundador do banco, Daniel Vorcaro, que foi solto dias depois.
RELATORIA DE DIAS TOFFOLI
O caso foi para o Supremo Tribunal Federal e, a princípio, a relatoria ficou a cargo de Dias Toffoli. O ministro, no entanto, foi enredado em uma série de controvérsias ligadas ao Master, divulgadas pela imprensa. Entre elas está a viagem em um jatinho privado com um advogado do banco para assistir a um jogo de futebol em Lima, no Peru, e a participação de uma pessoa ligada a Vorcaro no hotel Resort Tayaya, do qual Toffoli é um dos sócios.
A crise ganhou uma nova camada quando o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, entregou ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório de 200 páginas que deveria servir para embasar o pedido de suspeição de Dias Toffoli como relator.
O Supremo tentou contornar a crise publicando nota em apoio a Toffoli, mas indicando outro relator para o caso. O nome sorteado foi o do ministro André Mendonça.
ANDRÉ MENDONÇA E A TURMA
À frente do caso, Mendonça autorizou uma nova prisão de Vorcaro. Na decisão do ministro, foram divulgadas mensagens do telefone do fundador do Master, interceptadas pela PF, que indicariam que ele comandava um grupo, chamado informalmente de A Turma, cujo papel era monitorar e intimidar adversários.
Segundo a investigação, o banqueiro teria pedido que fosse forjado um “assalto” contra o jornalista Lauro Jardim: “Quero dar um pau nele”.
A PF também apontou que A Turma de Vorcaro obteve de maneira indevida informações sigilosas nos sistemas do MPF (Ministério Público Federal) e da própria PF. Além de Vorcaro, foram presos preventivamente Fabiano Zettel, cunhado do banqueiro, o policial federal Marilson Roseno da Silva e Luiz Philippe Machado de Moraes Mourão, apelidado de Sicário (sinônimo de matador de aluguel) e um dos integrantes do grupo A Turma.
Mourão morreu nas dependências da Superintendência da PF, em Minas Gerais, logo após ser preso. Segundo a PF, a morte cerebral decorreu de suicídio.
Além das mensagens de Vorcaro contidas na decisão de Mendonça, houve vazamento de outras conversas do banqueiro, as quais o Poder360 teve acesso. Nelas, ele demonstrava proximidade com autoridades da República.
Foram citados o senador Ciro Nogueira (PP-PI), a quem o banqueiro chegou a se referir como um dos “grandes amigos de vida” e o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB). Também são mencionados encontros com o ministro do STF Alexandre de Moraes.
Além disso, o escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, prestou 22 meses de serviços ao Banco Master, pelos quais recebeu mais de R$ 80 milhões. O montante recebido é considerado muito acima do praticado no mercado.
Em nota divulgada em 9 de março, ela declarou que seu escritório prestou serviços ao banco de fevereiro de 2024 a novembro de 2025, quando Vorcaro foi preso pela 1ª vez na operação Compliance Zero.
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